Arquivo de Memória - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/memoria/ Organizando comunidades na luta por terra e liberdade Sun, 09 Feb 2025 18:24:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.3 https://terraliberta.org/wp-content/uploads/2022/08/cropped-mini-mini-logo-1-32x32.png Arquivo de Memória - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/memoria/ 32 32 227164137 190 Anos da Revolta dos Malês https://terraliberta.org/2025/02/09/190-anos-da-revolta-dos-males/ https://terraliberta.org/2025/02/09/190-anos-da-revolta-dos-males/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:24:08 +0000 https://terraliberta.org/?p=662 No dia 24 de janeiro, celebramos a memória dos 190 anos da Revolta dos Malês, reconhecida como o maior levante urbano de pessoas escravizadas nas Américas. O episódio, ocorrido em Salvador, Bahia, em 1835, foi liderado por africanos muçulmanos, escravizados e libertos, conhecidos como malês. Antes da revolta, o Brasil proclamava independência, em 1822; que ... Ler mais

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No dia 24 de janeiro, celebramos a memória dos 190 anos da Revolta dos Malês, reconhecida como o maior levante urbano de pessoas escravizadas nas Américas. O episódio, ocorrido em Salvador, Bahia, em 1835, foi liderado por africanos muçulmanos, escravizados e libertos, conhecidos como malês.

Antes da revolta, o Brasil proclamava independência, em 1822; que logo se demonstrou com farsa. Como poderia um país ser independente com seu povo escravo? A economia do açúcar que crescia a época aumentava a mão de obra negra na Bahia, ao ponto de serem quase 80% da população de Salvador a época. Uma verdadeira panela de pressão.

Os insurgentes, muitos dos quais eram falantes de yorùbá, inspiraram-se em suas tradições culturais e religiosas para organizar uma tentativa de mudar sua realidade. A capacidade de unir diferentes crenças foi bastante importante. Os malês, adeptos do islamismo, construíram articulações entre terreiros de candomblé e irmandades cristãs negras.

A insurreição reuniu cerca de 600 participantes armados, que enfrentaram as forças policiais nas ruas de Salvador. Apesar da derrota, a revolta teve repercussões significativas, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Documentos da época mostram como jornais de diversos países relataram o evento, associando-o aos temores de outras revoluções inspiradas pelo Haiti e debatendo sobre as condições da escravidão no Brasil.

As consequências da revolta foram severas: muitos participantes foram mortos, açoitados, presos ou deportados. Mesmo assim, a Revolta dos Malês permanece como um símbolo de resistência e luta pela liberdade, destacando a força cultural e espiritual daqueles que enfrentaram um sistema profundamente opressor.

Ao mantermos essa memória acesa, iluminamos as pegadas de nossos ancestrais que constituíram a classe trabalhadora que mantêm sua caminhada rumo à libertação.

Em memória das lideranças: Ahuna; Pacífico Licutan; Sule; Dassalu; Gustar; Manoel Calafete; Luís Sanim; e Elesbão do Carmo.

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36 Anos do Assassinato do Revolucionário Africano Thomas Sankara https://terraliberta.org/2023/10/16/36-anos-do-assassinato-do-revolucionario-africano-thomas-sankara/ https://terraliberta.org/2023/10/16/36-anos-do-assassinato-do-revolucionario-africano-thomas-sankara/#respond Mon, 16 Oct 2023 00:58:33 +0000 https://terraliberta.org/?p=418 Burkina Faso é um país da África Ocidental que é um pouco maior que o Estado do Piauí. Ainda que pequeno, ele tinha muita riqueza nas suas terras que poderiam garantir uma vida digna ao seu povo. Thomas Sankara era um jovem militar que entendeu isso. E indignava-se com a injustiça que fazia um povo de uma terra rica viver pobre. A causa disso era o imperialismo que a França e o FMI (Fundo Monetário Internacional) promoviam à Burkina Faso. Roubavam toda a natureza e submetiam eles a dívidas absurdas.

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Comunicado da Organização Popular Terra Liberta.

Burkina Faso é um país da África Ocidental que é um pouco maior que o Estado do Piauí. Ainda que pequeno, ele tinha muita riqueza nas suas terras que poderiam garantir uma vida digna ao seu povo. Thomas Sankara era um jovem militar que entendeu isso. E indignava-se com a injustiça que fazia um povo de uma terra rica viver pobre. A causa disso era o imperialismo que a França e o FMI (Fundo Monetário Internacional) promoviam à Burkina Faso. Roubavam toda a natureza e submetiam eles a dívidas absurdas.

Durante toda sua vida Sankara esteve ao lado do povo, dos camponeses pobres, denunciou as injustiças dos imperialistas e não teve medo de romper publicamente com que oprimisse o povo. Dizia: “Ai daqueles que amordaçam o povo”

Após muita luta do povo de Burkina Faso, Thomas Sankara assume como presidente do Conselho Nacional para a Revolução (CNR) de 1983 e 1987. Realiza ações muito importantes em apenas 4 anos:

  • Reforma Agrária Radical com distribuição das terras aos camponeses pobres, garantindo a soberania alimentar.
  • Negava a “ajuda externa” dos países imperialistas. Afirmava que “quem alimenta e controla”.
  • Promoção dos direitos das mulheres, proibindo a mutilação genital feminina e o casamento infantil.
  • Liderança da luta pela descolonização da África, condenando o imperialismo e a neocolonialismo.
  • Plantio de mais de 10 milhões de árvores contra a desertificação. 
  • Destruiu os privilégios de todos os governantes de seu país, buscando que vivam como o povo vive.

Como o capitalismo internacional não suporta ver um povo liberto rumo ao socialismo, o destino foi trágico. Sob um golpe de estado financiado pela França e com a cumplicidade de seu vice, Sankara é assassinado aos 37 anos no dia 15 de outubro de 1987. Uma cruel marca do imperialismo capitalista que sempre irá utilizar a violência para manter um povo oprimido.

Hoje, 15 de outubro de 2023, faz 36 anos deste triste episódio que nos mostra a real face deste sistema em que vivemos. Nunca devemos subestimar os inimigos do povo que muitas vezes querem nos controlar com “ajudas”. Estas “ajudas” são correntes discretas que prendem a liberdade dos explorados. Devemos erguer a nossa soberania alimentar por uma luta constante para que a terra sirva para alimentar o povo e não a ganância de poucos.

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