Arquivo de Ocupação de Terra - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/ocupacao-de-terra/ Organizando comunidades na luta por terra e liberdade Sun, 09 Feb 2025 18:13:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.3 https://terraliberta.org/wp-content/uploads/2022/08/cropped-mini-mini-logo-1-32x32.png Arquivo de Ocupação de Terra - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/ocupacao-de-terra/ 32 32 227164137 Camponeses em Massapê anseiam a fundação do Assentamento Nestor Makhno https://terraliberta.org/2025/02/09/camponeses-em-massape-anseiam-a-fundacao-do-assentamento-nestor-makhno/ https://terraliberta.org/2025/02/09/camponeses-em-massape-anseiam-a-fundacao-do-assentamento-nestor-makhno/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:12:18 +0000 https://terraliberta.org/?p=653 As mãos das famílias trabalhadoras de Massapê, que fizeram a Ocupação Nestor Makhno, estão abertas para colher os frutos de sua árdua luta. Em abril de 2023, elas ocuparam a Fazenda Campo Grande que estava improdutiva há décadas. Com muita luta semearam a terra e realizaram criação de animais de pequeno porte. A resistência conseguiu ... Ler mais

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As mãos das famílias trabalhadoras de Massapê, que fizeram a Ocupação Nestor Makhno, estão abertas para colher os frutos de sua árdua luta. Em abril de 2023, elas ocuparam a Fazenda Campo Grande que estava improdutiva há décadas. Com muita luta semearam a terra e realizaram criação de animais de pequeno porte. A resistência conseguiu barrar as tentativas de despejo até o dia 6 de dezembro de 2023, quando a comunidade foi despejada. Porém, a indignação virou combustível para a 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum que ocorreu com a força de diversas organizações do povo cearense no mesmo mês. Com isto, o Governador Elmano se comprometeu em assinar a aquisição de um imóvel para o assentamento das famílias despejadas. Em março de 2024 tivemos a confirmação da assinatura.

Infelizmente, as coisas não são tão rápidas como a necessidade pede. Hoje, janeiro de 2025, as famílias ainda não tiveram seu justo assentamento. As burocracias dos cartórios locais são um grande entrave, que dificulta a agilidade nos processos de aquisição de imóveis rurais para fins de reforma agrária.

Enquanto isso, a tarefa principal é manter os vínculos entre o povo para estar preparado para agir quando for necessário. Pois a força que move a história está conosco, a força de quem trabalha.

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Basta de Omissão e Repressão à Ocupação Nova Canaã! https://terraliberta.org/2023/10/09/basta-de-omissao-e-repressao-a-ocupacao-nova-canaa/ https://terraliberta.org/2023/10/09/basta-de-omissao-e-repressao-a-ocupacao-nova-canaa/#respond Mon, 09 Oct 2023 17:51:50 +0000 https://terraliberta.org/?p=411 Carta Aberta ao Governo do Estado do Ceará 9 de Outubro de 2023 Nós, famílias da Ocupação Nova Canaã, organizadas junto à Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta, viemos por meio desta carta para denunciar a repressão e a omissão do Governo do Estado do Ceará que estamos sofrendo. Isto ... Ler mais

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Carta Aberta ao Governo do Estado do Ceará

9 de Outubro de 2023

Nós, famílias da Ocupação Nova Canaã, organizadas junto à Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta, viemos por meio desta carta para denunciar a repressão e a omissão do Governo do Estado do Ceará que estamos sofrendo. Isto desde 2022 quando se inicia a ocupação em luta pelo direito à moradia. Alertamos que caso a postura do governo não mude, o conflito deve escalar por conta da pressão popular de centenas de famílias trabalhadoras que reivindicam esta terra para moradia.

Histórico da Terra

A terra reivindicada, localizada no Bairro Jardim das Oliveiras em Fortaleza, tem 5 hectares e está desocupada há 6 anos, desde que a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) da Cagece foi desativada no local. A estação funcionou por cerca de 36 anos. A movimentação de terra e a deposição de resíduos sólidos e efluentes domésticos prejudicaram a fauna e a flora local. O solo que existe hoje é uma piçarra argilosa, muito diferente do solo do ecossistema do Cocó, que fica próximo.

Em torno de 42 anos atrás, antes do terreno ser cedido à Cagece, ele foi espaço de ocupações de famílias que lutaram para construir sua moradia onde hoje é o Conjunto Habitacional Tasso Jereissati. No período da autoconstrução em mutirão, este mesmo terreno foi canteiro de obras. Ou seja, desde o começo dos anos 80 esta área teve sua natureza retirada para função de habitação e saneamento.

Contudo, mesmo não tendo mais as características da natureza do Cocó, esta área de 5 hectares é incorporada em 2017 à demarcação do do Parque Estadual do Cocó. Tal demarcação não é seguida de nenhum projeto de Recuperação de Área Degradada. Inclusive nem a retirada dos dejetos é feita de maneira correta ao ponto de vários incêndios ocorrerem na área devido o gás metano acumulado.

1º Ocupação

Em Agosto de 2022, centenas de famílias das comunidades mais pobres do bairro ocupam esta terra. Surge a Ocupação Nova Canaã organizada pela Associação de Moradores O Cajado. Após as eleições federais e estaduais, a repressão veio de forma ostensiva. No segundo dia útil após as eleições, 1º de novembro de 2022, o despejo ocorre com forte força policial: Helicóptero, Coronel da CPMA, o RAIO e o COTAM. Houve quebra dos barracos e apreensão dos materiais.

2º Ocupação

No dia 27 de Janeiro de 2023 as famílias trabalhadoras realizam a retomada da ocupação na mesma terra. Esta é organizada junto à Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta.

Logo nos primeiros dias a PM chega com bastante truculência na ocupação, com a afirmação do Tenente Evangelista do 19º BPM: “se eu receber a ordem do tenente-coronel tiraria todos a força do jeito que o coronel mandasse”.

A ocupação resiste até que no dia 31 de Janeiro é despejada sob a acusação de crime ambiental. Novamente, forte contingente policial: 12 viaturas e 10 motos da PMCE, em especial o Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA) com reforço do COTAM. Também estava presente a fiscalização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) que tipificava como crime ambiental a justa ação dos ocupantes. Durante a repressão foram detidas duas lideranças locais.

No dia 14 de Fevereiro a SEMA recebe uma comissão da ocupação e sob a demanda do projeto habitacional diz que é preciso consultar seu setor jurídico e orienta que protocolemos nossa demanda em um ofício. No dia 17 de Fevereiro o ofício é protocolado1 na SEMA. Até a escrita desta carta contam 194 dias que o processo está parado na Célula do Parque Estadual do Cocó dentro da SEMA. E nenhuma ação foi feita! Nem nenhum retorno da SEMA!

3º Ocupação

Enquanto o processo na SEMA está parado, o aluguel e a carestia das famílias continua. Assim, em Setembro de 2023 é realizada a terceira retomada da Ocupação Nova Canaã às margens da terra reivindicada. A ocupação já recebeu a visita da fiscalização da SEMA junto ao COTAM.

A ocupação das margens da terra é uma medida para evitar um conflito mais direto devido tanta criminalização, mas a necessidade que move quem não tem onde morar não se pode conter. Por isso se não houver uma mudança na postura do Governo do Estado do Ceará, o conflito só vai aumentar imensamente. Infelizmente sob uma situação totalmente viável de ser resolvida.

Nossa demanda

Tendo em vista todo o exposto, reivindicamos de maneira imediata:

  1. O fim da criminalização da Ocupação Nova Canaã por parte do Governo Estadual e seus órgãos.
  2. Que a SEMA junto à Secretaria das Cidades realizem uma audiência com uma comissão da ocupação para estabelecer um plano de trabalho para habitação popular.

Assinam esta carta aberta:

Associação de Moradores O Cajado

Organização Popular Terra Liberta

1Ofício protocolado sob o NUP 57001.000100/2023-48

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DIGA NÃO AO DESPEJO DA OCUPAÇÃO NESTOR MAKHNO! Leia a Carta Aberta. https://terraliberta.org/2023/06/27/diga-nao-ao-despejo-da-ocupacao-nestor-makhno-leia-a-carta-aberta/ https://terraliberta.org/2023/06/27/diga-nao-ao-despejo-da-ocupacao-nestor-makhno-leia-a-carta-aberta/#comments Tue, 27 Jun 2023 21:12:40 +0000 https://terraliberta.org/?p=278 Leia a Carta Aberta da Ocupação Nestor Makhno, localizada em Massapê – Ceará. Escrita em 17 de Junho de 2023. Nós da Ocupação Nestor Makhno viemos por meio desta carta aberta denunciar a injusta ameaça de despejo que estamos sofrendo. Somos 30 famílias trabalhadoras de Massapê que não tínhamos terra para viver. Morávamos de aluguel, ... Ler mais

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Leia a Carta Aberta da Ocupação Nestor Makhno, localizada em Massapê – Ceará.

Escrita em 17 de Junho de 2023.

Nós da Ocupação Nestor Makhno viemos por meio desta carta aberta denunciar a injusta ameaça de despejo que estamos sofrendo. Somos 30 famílias trabalhadoras de Massapê que não tínhamos terra para viver. Morávamos de aluguel, em áreas de risco, alagados, entulhados, sem dignidade.

No dia 15 de Abril de 2023 ocupamos uma fazenda abandonada há 30 anos conhecida como “Campo Grande” às margens da CE 240 que leva para Tuína e do riacho do mocó. Lá não existia nada de produtivo, o mato brabo não era adequado para pastagem e nenhuma plantação existia. Foi com nosso trabalho que começamos a plantar batata, cheiro-verde, abacaxi, pimenta, boldo, cidreira, criar galinha, criar bode. Foi com nosso suor que o terreno foi limpo. E assim um local abandonado se tornou um lar para famílias viverem de maneira coletiva.

Somos organizados e nossa organização tem nome: Organização Popular Terra Liberta. É uma organização que junta o povo trabalhador excluído pelo Ceará e realiza a luta justa pelos direitos do povo. Não somos financiados por qualquer político ou parlamentar e nem fazemos campanha eleitoral. A Terra Liberta junta a precisão com a organização. É a nossa resposta para este mundo injusto onde tantas pessoas vivem trabalhando e morrem sem dignidade.

Quando completamos 60 dias de ocupação, no dia 15/06/2023, foi entregue pelo oficial de justiça uma liminar de reintegração de posse contra a nossa ocupação, ou seja, um despejo contra as famílias. Esta decisão do Juiz Gilvan Brito Alves Filho da 2º Vara da Comarca de Massapê autoriza o uso da força policial para retirar famílias, mulheres, crianças, idosos de uma terra que não tinha serventia nenhuma. Somente servia para a ganância dos ditos proprietários. O poder do dinheiro não pode ser maior que o direito a viver com dignidade. Queremos terra para trabalhar, queremos terra para viver. Vamos resistir até o fim!

Bandeira da Terra Liberta ao lado do portão da ocupação com um cartaz contra o despejo.
Fotografia: Daniele Jucá. 06/2023

Nosso maior grito neste momento é para que ninguém feche os olhos para esta situação. O povo trabalhador, bem como suas organizações, não pode fechar os olhos pois o sangue escorrer aqui é o mesmo sangue que corre em suas veias. Não compre o discurso bonito de quem não sabe o que é ter que escolher entre pagar aluguel e ter que comprar comida pra casa. Se estamos assim é porque os ricos e poderosos já roubaram grande partes das terras na base da força, oprimindo o povo. É hora de se unir.

Também afirmamos nesta carta que as autoridades do Estado são responsáveis por qualquer gota de sangue que for derramada nesta terra. Prefeita Aline Albuquerque (PP), não lave as mãos na pia da omissão. A prefeitura tem poder para encontrar uma solução para a falta de terra para estas 30 famílias. O mesmo vale para o Governador Elmano (PT) que através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário tem poder para atender nossa demanda.

Por fim, não somos bandidos nem coitados, somos explorados. Somos o que aqueles que oprimem mais temem: um povo consciente. Resistiremos!

Camponeses acampados reunidos próximo à plantação de batata.
Fotografia: Daniele Jucá. 06/2023

Apoie a Ocupação Nestor Makhno Contra o Despejo!

  1. Compartilhe esta mensagem com pessoas e organizações que possam se solidarizar a esta causa.
  2. Se pronuncie publicamente contra o despejo da Ocupação Nestor Makhno!
    Seja virtualmente, através de notas, cartazes, monções etc.
  3. Entre em contato para articular doações de alimentos para as famílias.
    Email: terraliberta@protonmail.com ou instagram: @terraliberta.ce
  4. Doe apoio financeiro através do pix: ->pixfobce@protonmail.com

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Ocupação Nestor Makhno: Organização Terra Liberta Ocupa Terra Abandonada em Massapê-CE https://terraliberta.org/2023/04/20/ocupacao-nestor-makhno-organizacao-terra-liberta-ocupa-terra-abandonada-em-massape-ce/ https://terraliberta.org/2023/04/20/ocupacao-nestor-makhno-organizacao-terra-liberta-ocupa-terra-abandonada-em-massape-ce/#comments Thu, 20 Apr 2023 17:23:42 +0000 https://terraliberta.org/?p=237 Na madrugada do dia 15 de Abril de 2023, trinta famílias trabalhadoras ocuparam uma terra abandonada à mais de 30 anos na zona rural de Massapê (CE), próximo ao bairro Nossa Senhora de Fátima. A ocupação é organizada pela Organização Popular Terra Liberta e é fruto do trabalho de base junto á população que mora ... Ler mais

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Na madrugada do dia 15 de Abril de 2023, trinta famílias trabalhadoras ocuparam uma terra abandonada à mais de 30 anos na zona rural de Massapê (CE), próximo ao bairro Nossa Senhora de Fátima. A ocupação é organizada pela Organização Popular Terra Liberta e é fruto do trabalho de base junto á população que mora de aluguel e vive em área de risco nas periferias de Massapê. A ocupação reivindica terra para estas famílias viverem e trabalharem com dignidade.

Situação da Terra

Primeira assembleia da Ocupação Nestor Makhno. Acervo Terra Liberta. 15 de Abril de 2023.

A terra em questão, além do visível abandono, possui a inconsistência documental comum às terras griladas. Outra informação importante é que por esta região passava o trem da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e que após sua desativação, por volta dos anos 70, muitas terras ficaram devolutas e foram ocupadas por populações empobrecidas em pequenas partes ou griladas aos montes por gananciosos empresários.

O povo de Massapê

A situação atual da população de Massapê é marcada pela falta de acesso à terra. Muitas famílias migraram das zonas rurais para as zonas urbanas do município, fazendo inchar os bairros periféricos e construção de casas em áreas de risco como margens de rios. Não existe política publica pública de habitação, somente lembranças dos anos 80 e 90. Para piorar, no recente inverno muitos proprietários aumentaram o preço dos alugueis para lucrar com o desespero de quem não tem moradia digna.

Acervo Terra Liberta. 15 de Abril de 2023.

De 1996 à 2007 a concentração de terras só piorou na microregião de Sobral, que agrega Massapê e mais 11 municípios próximos. Existem somente 2 assentamentos rurais federais (Morgado e Contendas) que foram criados em 1991 e 1992. Ou seja, os ricos com cada vez mais terra e os pobres com cada vez menos.

Organização da Ocupação

Primeira reunião do Núcleo de Base da Terra Liberta em Massapê. Novembro de 2022.

Desde Novembro de 2022 a Terra Liberta realiza trabalho de base nas comunidades de Massapê, buscando elevar a consciência de classe para superar a situação de miséria e a dependência da política eleitoreira que parasita o povo. O fruto desse trabalho é a Ocupação Nestor Makhno que até o presente momento semeia nova vida onde antes só pisava o gado e a servidão.

Entrada na terra com construção de Barracão Coletivo. Acervo Terra Liberta. 15 de Abril de 2023.
Primeiras estruturas do acampamento firmadas junto à bandeira de luta. Acervo Terra Liberta. 15 de Abril de 2023.

Assim, a vida comum se faz na construção de espaços comuns. A cozinha comunitária trabalha a soberania alimentar dos ocupantes junto aos futuros roçados e hortas. O barracão é um espaço para realizar assembleias onde tudo é decidido coletivamente. Ao invés do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, seguimos o princípio do mandar obedecendo. Todos e todas somos igualmente responsáveis pelas decisões. Assim, fazemos uma luta que não é só por um pedaço de chão, mas por uma outra relação entre o povo e com a terra.

A escolha do nome

Nestor Makhno (1888–1934) em um campo de refugiados na Romênia.

A ocupação homenageia o revolucionário Nestor Makhno. Nascido em 1888 na cidade Huliaipole onde hoje é o país da Ucrânia e na época era dominado pelo império russo. Sendo o caçula de uma família de 5 filhos, começou a trabalhar aos 7 anos pastorando gado. Na sua juventude enfrentou com muita coragem o império russo na defesa do povo do campo, gesto que o levou para a prisão dos 22 até os 28. Após a saída da prisão, Makhno retorna a sua terra natal e promove uma organização em massa de todos os trabalhadores do campo e da cidade conquistando terra para os camponeses e garantindo o controle dos operários sobre as industrias.

Durante a Guerra Civil Russa, comandou o Exército Negro da Ucrânia que defendeu a autonomia do povo ucraniano contra o exército branco (que defendiam o antigo regime) e o vermelho (bolcheviques). Seu exército conseguiu controlar grande parte de seu país e mostrou que um povo organizado pode transformar sua realidade sem se curvar a ninguém.

Relações da ocupação com o poder público.

Entrevista com Jornal Sobral Online. Acervo Terra Liberta. 15 de Abril de 2023.

Até o presente momento (20/04), a ocupação não foi notificada por nenhum suposto dono ou autoridade do Estado. O que houve foi, no dia 15/04, a visita de um funcionário de um empresário que reivindica propriedade. Este apenas colocou que em breve o dono entraria com um processo para “retomar” a posse da propriedade. No primeiro e segundo dia houve visita de dois jornais locais que retrataram a luta das famílias pelo direito à terra.

No dia 19 de Abril, um homem engravatado fotografa a ocupação de maneira furtiva, porém sai correndo ao ver que foi descoberto. No dia 20/04, um contingente do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), da Polícia Militar do Ceará (PMCE), ronda a ocupação e utiliza de drones para realizar filmagem aérea do local.

A legitimidade

A ação das famílias acampadas é antes de tudo legítima. Não se pode aceitar que a grande massa popular viva privada do acesso à terra enquanto uma minoria acumula terra e tantos outros bens materiais. A razão desta acumulação não é o trabalho, pois se o trabalho desse direito à terra, quem mais teria terra é a classe trabalhadora que sofre por não ter um pedaço de chão.

Solidariedade de Classe

A Federação das Organizações de Base do Ceará (FOB-CE), assim como a Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), contribuem imensamente com esta luta. Articulando setores populares, sindicais e estudantis de norte a sul para fortalecer esta luta justa por terra e liberdade.

Logo ao entrar na terra, foi possível irradiar a notícia pelas redes sociais com muita força. Recebemos solidariedades de todo o Brasil e até internacional! Afirmamos assim, o internacionalismo proletário. Os trabalhadores de todo mundo tem muito mais semelhança entre si do que com as classes dominantes de seu próprio país.

A luta apenas começou. Sabemos que nada para o povo é dado, tudo é conquistado. Assim, pedimos a atenção de toda a classe para os momentos seguintes. Que possamos defender juntos o direito à vida digna, seja onde for.

VIVA À OCUPAÇÃO NESTOR MAKHNO

VIVA À ORGANIZAÇÃO POPULAR TERRA LIBERTA

FÉ NA LUTA: VENCEREMOS!

Caso queira entrar em contato com a ocupação, mande mensagem pela página do instagram ou pelo email ‘ terraliberta.protonmail.com ‘ . Podemos articular doações presenciais de alimentos e materiais de construção por estes canais. Para transferências bancárias, estamos aceitando através do pix -> pixfobce@protonmail.com .

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Ocupação Nova Canaã é Despejada pela 2º vez em Fortaleza https://terraliberta.org/2023/02/04/ocupacao-nova-canaa-e-despejada-pela-2o-vez-em-fortaleza/ https://terraliberta.org/2023/02/04/ocupacao-nova-canaa-e-despejada-pela-2o-vez-em-fortaleza/#comments Sat, 04 Feb 2023 04:09:06 +0000 https://terraliberta.org/?p=207 Localizada no Bairro Jardim das Oliveiras, a ocupação havia sido retomada recentemente pela Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta no sábado (04/01/2023). O despejo ocorreu na segunda (31/01/2023) pela manhã por meio do Batalhão Policial de Meio Ambiente (BPMA) da PM-CE. O conflito promovido pelo Estado envolveu em torno de ... Ler mais

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Localizada no Bairro Jardim das Oliveiras, a ocupação havia sido retomada recentemente pela Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta no sábado (04/01/2023). O despejo ocorreu na segunda (31/01/2023) pela manhã por meio do Batalhão Policial de Meio Ambiente (BPMA) da PM-CE. O conflito promovido pelo Estado envolveu em torno de 150 famílias que necessitam de moradia digna. Sob a falsa acusação de crime ambiental, derrubaram barracos e detiveram 2 camaradas da luta que foram liberados pela tarde.

Histórico da Terra

A terra em questão tem 5 hectares e está parada há 6 anos desde que foi desativada uma estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) no local. Esta estação funcionou por em torno de 36 anos, tendo o local perdido suas características de fauna e flora por conta deste empreendimento. Houve muita movimentação de terra e o próprio solo que existe hoje lá é uma piçarra argilosa bastante diferente de um solo pertencente ao ecossistema do Rio Cocó que se encontra próximo. É neste rio que o esgoto era depositado pela Cagece após um tratamento que não era suficiente para garantir a preservação ambiental, tanto que foi desativado.

Em torno de 42 ano atrás, antes do terreno ser cedido à Cagece, ele foi espaço de ocupações de famílias que lutaram para construir sua moradia onde hoje é o Conjunto Habitacional Tasso Jereissati. No período da autoconstrução em mutirão, este mesmo terreno foi canteiro de obras.

Surgimento da Ocupação Nova Canaã

Ocupação Nova Canaã em Outubro de 2022

A Ocupação Nova Canaã surge da necessidade de centenas de famílias do Bairro Jardim das Oliveiras que carecem de moradia digna. Através da Associação de Moradores O Cajado, o povo ocupa a terra abandonada em Agosto de 2022. Contudo, foi só passar as eleições federais e estaduais que a repressão veio de forma ostensiva e despejou a comunidade no segundo dia útil após as eleições: 1º de Novembro de 2022. Os governantes, trouxeram a polícia, helicóptero, coronel da CPMA (Comando da Policia Militar do Ceará), RAIO, COTAM, agindo com brutalidade na derrubada dos barracões, além de levar os materiais.

Retomada da Terra

O povo organizado tem a capacidade histórica de recomeçar sua luta ainda frente a violência do Estado. Assim, em 2023 a Associação de Moradores O Cajado e a Organização Popular Terra Liberta erguem novamente a Ocupação Nova Canaã no dia 27 de Janeiro de 2023 sob o mesmo terreno abandonado.

Logo nos primeiros dias a PM chega com bastante truculência na ocupação, com a afirmação do Tenente Evangelista do 19º BPM: “se eu receber a ordem do tenente coronel tiraria todos a força do jeito que o coronel mandasse”. Contudo, com sabedoria e organização o povo conseguiu superar esta ameaça e permanecer no local. Foi firmado que ali estava uma ação legítima da comunidade em prol do direito à moradia digna.

No dia 31/01/2023 o Estado retoma com outra estratégia: criminalizar a ocupação por meio da questão ambiental. Assim, por volta 9:30 da manhã a ocupação é invadida por um forte contingente (12 viaturas e 10 motos) da PMCE, em especial o Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA) com reforço do COTAM. Também estava presente a fiscalização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente que tipificava como crime ambiental a justa ação dos ocupantes.

Desrespeitando inclusive determinações legais sobre a mediação de conflitos fundiários ( ADPF 828 ), o despejo ocorre forma violenta, derrubando os barracos e detendo dois companheiros da luta. Os dois camaradas ficam detidos por em torno de 3 horas e são liberados após assinar o Termo circunstanciado de ocorrência (TCO).

É preciso entender o absurdo deste despejo. O Estado alega que a terra em questão é uma área ambiental que não poderia ser ocupada por moradia. Porém foi este mesmo Estado que anteriormente concedeu o terreno para a Cagece acumular esgoto doméstico sem o tratamento adequado. Sendo inclusive despejado este esgoto no rio que dizem tanto proteger! É o mesmo Estado que desmatou uma parte da floresta do Cocó para um viaduto, reprimindo ocupantes contrários em 2013.

Ainda que a ciência possa comprovar, não é preciso ser Cientista Ambiental para ver que a terra ocupada não tem as características ecológicas da mata que envolve o Rio Cocó solo barrento é o mesmo solo que encontramos em diversos terrenos aterrados em Fortaleza.

Sabemos, com certeza, que há planos para esta terra que não favorecem a liberdade do povo. Já foi dito pela comunidade que parlamentares tem interesse em promover uma “Areninha” na terra em questão. Os moradores afirmam: “Já temos campos demais para jogar bola! Precisamos é de moradia!” Isso é uma necessidade que entra na contra mão do projeto de poder de alguns parlamentares. Porém, o povo conhece seus verdadeiros instrumentos de luta e está travando esta batalha por meio deles.

Com tudo isso, fica nítido que nossa luta por moradia não é contra a preservação ambiental. Muito pelo contrário, buscamos sempre construir novas relações entre a sociedade e a natureza durante nossas batalhas. Somos parte da natureza. O que denunciamos é a maneira injusta que o Estado age frente ao povo em luta por seu direito. Enquanto os ricos que devastam a natureza com seus empreendimentos são recebido com apertos de mão pelos governantes, o povo que batalha por sua moradia é criminalizado de uma maneira cruel.

Assembleia após o segundo despejo. 31 de Janeiro de 2023.

Se o primeiro despejo não enterrou nossa luta, o segundo também não vai enterrar! Pois sabemos que nossa demanda é justa e que juntos vamos conquistar a tão necessária moradia junto às famílias. E nesta terra conquistada plantaremos uma nova relação com a terra tão maltratada pelo Estado.

LUTAR POR MORADIA NÃO É CRIME AMBIENTAL!

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES O CAJADO AVANÇARÁ!

ORGANIZAÇÃO POPULAR TERRA LIBERTA AVANÇARÁ!

O POVO AVANÇARÁ!

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Ocupação Emiliano Zapata, organizada pela Terra Liberta/FOB, sofre despejo em Fortaleza https://terraliberta.org/2022/03/28/ocupacao-emiliano-zapata-organizada-pela-terra-liberta-fob-sofre-despejo-em-fortaleza/ https://terraliberta.org/2022/03/28/ocupacao-emiliano-zapata-organizada-pela-terra-liberta-fob-sofre-despejo-em-fortaleza/#comments Mon, 28 Mar 2022 02:50:53 +0000 https://terraliberta.org/?p=53 No dia 5 de Março de 2022, as 15 famílias que compunham a Ocupação Emiliano Zapata em Fortaleza-CE foram despejadas de um terreno abandonado entre o bairro Serrinha e Castelão em Fortaleza pela PMCE. A Ocupação é organizada pela Terra Liberta, sendo fruto de seu trabalho de base nas periferias de Fortaleza com famílias que ... Ler mais

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No dia 5 de Março de 2022, as 15 famílias que compunham a Ocupação Emiliano Zapata em Fortaleza-CE foram despejadas de um terreno abandonado entre o bairro Serrinha e Castelão em Fortaleza pela PMCE.

A Ocupação é organizada pela Terra Liberta, sendo fruto de seu trabalho de base nas periferias de Fortaleza com famílias que tem sua vida limitada pela falta de acesso à terra, à moradia digna.

O terreno ocupado possui 1,5 hectares e estava há décadas abandonado, tendo recebido um investimento público de mais de 700 mil reais para a construção de uma praça, porém já passou 6 meses da data de entrega da obra. O que se tem são ruínas de uma antiga praça em uma pequena parte do terreno, enquanto a sua maioria é ocupada pela vegetação que ao longo do tempo virou um espaço de depósito de lixo.

Na manhã do dia 5 de março, a Terra Liberta iniciou a ocupação com uma limpeza do terreno, recolhendo lixo e preparando a área para o acampamento.

Por Que Ocupamos?

A ocupação é uma prática histórica de Ação Direta para atingir nossos objetivos como organização popular. Neste caso, nosso objetivo é uma terra para as famílias em luta, uma terra para erguer uma comunidade liberta das opressões, um lugar de comunhão. Nisto vemos dois caminhos: a desafetação do imóvel ocupado para conter tanto as moradias das famílias quanto a praça que sirva à toda comunidade além da natureza com mais plantio de árvores e hortas comunitárias; outro caminho seria que o estado destinasse outro imóvel vazio para as famílias. Seja qualquer dos dois caminhos, a ocupação busca tensionar para que o estado cumpra com nossas reivindicações. Não entramos nesta terra para desmatar, roubar e oprimir, isto já é a prática histórica dos ricos e governantes.

Homenageamos o grande líder camponês Emiliano Zapata no nome de nossa ocupação. Zapata é uma figura histórica não só na Revolução Mexicana, mas na luta pela libertação dos povos em todo o mundo.

O Documento de Ferro que Mata

Nas primeiras horas da ocupação alguns moradores das redondezas conversaram conosco, a maioria que vinha das comunidades mais populares considerou justa a ação, relatando que o mesmo terreno já foi tentado ocupar 4 vezes, porém sempre acabando em despejo. Em um dado momento um homem idoso chega raivoso e gritando com as e os militantes. Dizia ser militar aposentado, que aquela terra era do exército e que não podíamos estar ocupando o terreno. Questionamos sobre o documento do terreno. Ele tirou sua carteira do bolso e mostrou sua carteira de militar abarrotada. Quando calmamente falamos: “não é este documento, mostre o documento que este terreno é do exército”, pois sabíamos que não era, ele disse “Documento do terreno? ele tá aqui ó, o documento”, e sacou um revólver das calças em meio mulheres grávidas, crianças, idosas; inclusive deixando a arma em um dado momento virada para uma de nossas militantes.

Infelizmente, como não estávamos filmando na hora, não temos registro do momento exato que ele saca a arma. Logo após sacar a arma, além de afastar as crianças, repudiamos sua ação desumana e em seguida ele saiu correndo do terreno. Temos alguns registros quando ele já se afastava.

Foi um momento de bastante tensão. Um momento que demonstra bem como os poderosos justificam sua propriedade nesta sociedade em que vivemos. Além de violento, o gesto de puxar a arma quando perguntamos sobre o documento do terreno é bastante simbólico. É como se dissesse: “Eu não preciso de documento para mandar nesta terra. Minha propriedade se justifica na bala, no meu poder de matar e oprimir quem eu quiser! “. Nessa sociedade, a propriedade não é de quem trabalha, mas de quem tem o poder das armas para impor sua vontade. Foi assim que os ricos e poderosos roubaram as terras do povo e é assim que eles mantém o povo na miséria.

” Olha só, sem terra mas tem celular ! “

Após a saída do militar aposentado, começaram a chegar moradores de um condomínio das redondezas. Ao contrário dos moradores das comunidades mais populares, alguns destes moradores chegaram com ódio e vomitando toda sua discriminação, seu racismo e e sua alineação. Alienados pois apesar de provavelmente serem assalariados, pertencerem a mesma classe que nós, nos atacam tal qual a classe dominante burguesa nos ataca. Alguns dos representantes do loteamento vieram alegar que o imóvel era área verde do condomínio, mostrando um mapa genérico. Uma hora dizem que a terra é do exército, outra hora é privada, outra hora é pública como alegamos. O fato é que o ódio por estarmos ocupando um terreno que estava abandonado e sendo depósito de lixo é o que está por trás de todo este rodeio. Se fossem mais sinceros poderiam dizer: essa terra é para tudo, menos para pobre viver.

Representantes do condomínio acusaram que a ocupação seria aliada do tráfico se ali permanecesse. Uma total falta de respeito com as famílias que ali buscavam uma terra liberta das opressões que já vivem. Para coroar a discriminação e preconceito, ao ver uma criança segurando o celular da mãe disseram: “Olha só, sem terra mas tem celular!”. Como se fosse possível comparar a aquisição de um celular com um pedaço de chão em uma cidade onde o metro quadrado custa em torno de 4.000 reais. O fato é o ódio escancarado aos pobres que a Ocupação Emiliano Zapata sofreu.

10 viaturas

Com o passar do tempo foram se acumulando viaturas policiais nas redondezas, do Grupo de Operações Especiais (GOE) ao Comando Tático Motorizado da Polícia Militar do Ceará (COTAM-PMCE). Como sempre o Estado se usando da força policial para reprimir quem luta pelos seus direitos. Chegou ao ponto de ter 10 viaturas policiais nos arredores da praça para o despejo da ocupação. Visto a desproporcionalidade de forças, a Terra Liberta negociou a saída pacífica e realizamos um recuo tático da Ocupação Emiliano Zapata

Força Tática da PM-CE abordando ocupantes

Recuar sem arredar o pé da luta!

O Recuo não é uma derrota quando é tático. Não tiramos de nossos olhos e mentes o objetivo: Conquistar a terra para as famílias e construir a Comunidade Emiliano Zapata! Todos os ocupantes afirmam com vigor: Não arredamos o pé da luta! É preciso se preparar mais ainda para as ofensivas que virão. Fortalecer o trabalho de base a organização combativa das famílias. Nunca esquecer do que Marighella nos ensinou.

A única luta que se perde é aquela que se abandona

Carlos Marighella

O povo nunca conquistou suas vitórias com facilidade. Nessa não será diferente! Maior que as forças opressoras é o poder dos oprimidos unidos para subverterem a ordem e construírem um novo mundo pelo poder do povo.

A NOSSA LUTA
NINGUÉM EMPATA
AVANTE, OCUPA
EMILIANO ZAPATA

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