Arquivo de Sem categoria - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/sem-categoria-pt/ Organizando comunidades na luta por terra e liberdade Wed, 29 Jul 2026 17:42:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://terraliberta.org/wp-content/uploads/2022/08/cropped-mini-mini-logo-1-32x32.png Arquivo de Sem categoria - Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/category/sem-categoria-pt/ 32 32 227164137 Prefeitura de caucaia e empresários atacam Ocupação Nossa Conquista https://terraliberta.org/2026/07/29/prefeitura-de-caucaia-e-empresarios-atacam-ocupacao-nossa-conquista/ https://terraliberta.org/2026/07/29/prefeitura-de-caucaia-e-empresarios-atacam-ocupacao-nossa-conquista/#respond Wed, 29 Jul 2026 17:42:09 +0000 https://terraliberta.org/?p=828 Ação de 14 de julho destruiu material de construção comprado pelas famílias e veio acompanhada de ameaças de retirada de crianças. Enquanto isso, o empresariado violenta por fora da lei. E a própria Prefeitura é a autora do pedido de reintegração de posse. Na terça-feira, 14 de julho, a Ocupação Nossa Conquista, no Loteamento Jurema ... Ler mais

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Ação de 14 de julho destruiu material de construção comprado pelas famílias e veio acompanhada de ameaças de retirada de crianças. Enquanto isso, o empresariado violenta por fora da lei. E a própria Prefeitura é a autora do pedido de reintegração de posse.


Na terça-feira, 14 de julho, a Ocupação Nossa Conquista, no Loteamento Jurema I, bairro Araturi, em Caucaia, foi surpreendida por mais uma ação violenta. Os moradores foram surpreendidos por uma operação da prefeitura. Não houve informação sobre o processo, somente uma citação no Diário da Justiça para constar. Quando as famílias chegaram, o que encontraram foi a destruição dos tijolos que haviam comprado, com muito sacrifício, para levantar suas casas.

Ao tentarem negociar, moradores relatam que foram ameaçados por agentes da própria Prefeitura: disseram que as crianças poderiam ser retiradas pelo Conselho Tutelar por estarem morando na ocupação. Um ato cruel de intimidação.

A justificativa apresentada pelos agentes foi de “limpeza ambiental”, por a ocupação estar próxima a uma área verde. É preciso dizer com todas as letras: as famílias construíram seus barracos respeitando o distanciamento do rio, na faixa de Área de Preservação Permanente, e sem derrubar as carnaúbas. Quem chegou com máquina foi o poder público derrubando, inclusive, árvores. A preocupação ambiental do município aparece quando é hora de derrubar barraco, mas não quando os empresários implantam um Data Center que consumirá até 144 mil litros de água por dia.

Na ação de 14 de julho de 2026 estiveram no local equipes da Guarda Municipal de Caucaia, Autarquia Municial de Transito da Caucaia,  1ª Companhia (Controle de Distúrbios Civis – CDC) do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) e da Secretaria de Planejamento Urbano e Ambiental de Caucaia (SEPLAM), que demoliram casas de alvenaria. 

Quem são as famílias

A Ocupação Nossa Conquista começou em dezembro de 2024. Nasceu da necessidade. São moradores do próprio Araturi que não conseguem mais pagar os valores abusivos cobrados na região e sonham com a casa própria. Ao longo do conflito, cerca de 30 famílias estiveram envolvidas na ocupação.

É uma comunidade organizada. Realizam assembleias para decidir suas ações, mobilizam mutirões e demais trabalhos coletivos. Em 2025 formalizam a Associação de Moradores Nossa Conquista que promove eventos comunitários como dia das crianças; capacitações como cursos de cabeleireiro e de negócios autônomos, pensados a partir das necessidades concretas de quem vive ali. Em Julho de 2026 a comunidade passa a se articular junto à Organização Popular Terra Liberta, integrando sua resistência a uma rede de comunidades trabalhadoras com autonomia.

A ofensiva dos empresários

O ataque não vem apenas de farda e de caminhão da Prefeitura. Desde junho de 2025, homens encapuzados passaram a comparecer ao local promovendo intimidações. Pessoas ligadas ao mercado imobiliário, identificadas pelos moradores como corretores de imóveis e advogados, começaram a atuar na área promovendo demolições por conta própria.

Ou seja: enquanto a ação de reintegração corre na Justiça, particulares fazem despejo por fora da lei. Em novembro de 2025, construções existentes no local foram derrubadas. As casas erguidas pelos ocupantes são demolidas de forma reiterada, promovendo traumas em famílias que muitas vezes são compostas por mães atípicas.

Há um mecanismo. Depois de cada rodada de demolição e ameaça, produzem-se relatórios que descrevem a área como vazia ou praticamente abandonada. Mas o esvaziamento é a consequência imediata da violência que ali se pratica. Primeiro se expulsa no medo, depois se certifica que não há ninguém. O vazio é fabricado e depois usado como argumento.

Uma das ocupantes chegou a procurar o Ministério Público para comunicar que homens encapuzados ameaçavam os moradores. Uma senhora que filmava a ação da PM-CE teve um dedo quebrado. Ocupantes também foram abordados por indivíduos que se apresentaram como policiais à paisana e agrediram moradores.

Ocupação Nossa Conquista após despejo. Fotografia de Iago Barreto. 18 de julho de 2026.

A Prefeitura é a autora

Convém não perder isso de vista. No Processo que tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Caucaia, o autor do pedido de reintegração de posse é o Município de Caucaia, governado pelo prefeito Naumi Amorim (PSD).

Em 30 de abril de 2026, foi expedido mandado de reintegração de posse provisória, com autorização expressa para uso de força policial e arrombamento. Em 27 de junho de 2026, o oficial de justiça certificou que se dirigiu ao endereço e não o localizou, e que, sem ser procurado pela parte autora, deixou de proceder à reintegração em favor do Município.

Menos de três semanas depois, no dia 14 de julho, a demolição aconteceu assim mesmo, sem que a ordem judicial tivesse sido cumprida nos termos em que foi expedida. Segundo relatam os moradores, os agentes justificaram a ação como “limpeza ambiental”. Até o momento, não há informação conclusiva sobre a existência de qualquer procedimento formal instaurado pelo Município de Caucaia.

O município é parte interessada em retirar as famílias. Porém, em nenhum momento apresentou uma alternativa habitacional para essas famílias. Poderia ter proposto. É sua responsabilidade.

A saída existe e é viável

As famílias da Nossa Conquista não pedem esmola nem o impossível. A reivindicação é clara: que a Prefeitura de Caucaia conceda lotes urbanizados para autoconstrução de 30 moradias em regime de mutirão.

É uma solução barata, testada e inteiramente ao alcance do município. As famílias entram com o trabalho, como já vêm fazendo, do próprio bolso, comprando tijolo a tijolo. O poder público entra com a terra e a infraestrutura. Custa muito menos do que operação de demolição com Polícia Militar, muito menos do que anos de processo judicial, e resolve de verdade o problema que a demolição apenas empurra para o próximo terreno.

No dia 21 de julho de 2026 uma comissão dos moradores, junto à coordenação da Org. Terra Liberta, tiveram um atendimento no Escritório Frei Tito de Alencar, ficou deliberado o encaminhamento de ofícios ao Núcleo de Habitação e Moradia (NUHAM) da Defensoria Pública do Estado do Ceará e ao NUAVV (Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência) do Ministério Público, para acompanhamento das medidas adotadas e apuração dos fatos narrados pelos ocupantes.

Enquanto isso, a comunidade segue reconstruindo o seu sonho de viver com moradia dígna. Tijolo por tijolo, lona por lona.

Ocupação Nossa Conquista após despejo. Fotografia de Iago Barreto. 18 de julho de 2026.

Como ajudar a Ocupação Nossa Conquista

Doação de alimentos, roupas e materiais podem ser articulada pelo whatsapp da associação de moradores 85 9 99065868.

Contribuições financeiras podem ser feitas à conta da Associação de Moradores Nossa Conquista. Chave-pix: 62.855.209/0001-94 (CNPJ).

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SIGAE-CE & TERRA LIBERTA DESFILIAM-SE DA FOB https://terraliberta.org/2025/06/29/sigae-ce-terra-liberta-desfiliam-se-da-fob/ https://terraliberta.org/2025/06/29/sigae-ce-terra-liberta-desfiliam-se-da-fob/#respond Sun, 29 Jun 2025 18:00:00 +0000 https://terraliberta.org/?p=727 O Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e a Organização Popular Terra Liberta decidiram, em suas respectivas assembleias gerais realizadas no dia 28 de junho de 2025, pela desfiliação da Federação das Organizações de Base (FOB). As lutas nas ocupações urbanas em 2020, que culminaram na fundação da Terra Liberta em 2021, foram ... Ler mais

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O Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e a Organização Popular Terra Liberta decidiram, em suas respectivas assembleias gerais realizadas no dia 28 de junho de 2025, pela desfiliação da Federação das Organizações de Base (FOB).

As lutas nas ocupações urbanas em 2020, que culminaram na fundação da Terra Liberta em 2021, foram a semente de uma nova forma de militância no interior da FOB CEARÁ. Foi na comunhão com o povo que amadureceu uma leitura transformadora do mundo. Em 2024, essa leitura se encontrou com os estudos aprofundados sobre o Sindicalismo Revolucionário, provocando o surgimento do SIGAE-CE.

À medida que essa nova forma de organização se consolidava, as divergências com a FOB também se tornavam mais evidentes. A polarização se explicitou no 3º Encontro Nacional da FOB (ENOPES), em dezembro de 2024. As resoluções desse encontro limitaram a expansão do SIGAE-CE para além do Ceará e, ao mesmo tempo, legitimaram a nacionalização da ORC e a consolidação da política de oposição sindical.

Para nós, é estratégico superar a lógica de disputa por diretorias no sindicalismo oficial, em favor da construção própria de sindicatos autônomos organizados por ramos econômicos. Essa divergência central se expressa também nos inúmeros conflitos travados localmente com a direção da ORC-CE, organização que ressurge em oposição direta ao SIGAE-CE.

As instâncias estaduais se perdem nos embates entre o acúmulo que nossa militância cultivou e um repertório recomposto do passado, que vemos como limitado para hoje. Este retorno aparece como tentativa de preservar uma estratégia minoritária no Ceará, mas que encontra eco ao nível nacional.

A manutenção de estratégias inconciliáveis dentro da FOB, a recusa em reconhecer a crise causada por essa contradição e a forma como os conflitos têm sido tratados nos níveis nacional e local nos levam, com responsabilidade, à decisão de desfiliação.

Reconhecemos os aprendizados acumulados no seio da Federação que nos formou. Saudamos todos os camaradas honestos com os quais partilhamos – e esperamos continuar partilhando – as trincheiras da luta de classes.

Reafirmamos também que não nos somamos à maior parte das correntes dissidentes da FOB, com as quais não partilhamos nem projeto, nem método.
Seguiremos firmes na luta pela reconstrução do Sindicalismo Revolucionário. Convidamos todos os trabalhadores e organizações que se identificam com nossa prática a construir conosco esse novo momento.

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Terra Liberta fortalece ações em encontro durante a Semana Santa em Massapê https://terraliberta.org/2025/04/21/terra-liberta-fortalece-acoes-em-encontro-durante-a-semana-santa-em-massape/ https://terraliberta.org/2025/04/21/terra-liberta-fortalece-acoes-em-encontro-durante-a-semana-santa-em-massape/#respond Mon, 21 Apr 2025 22:15:48 +0000 https://terraliberta.org/?p=671 A Coordenação Estadual da Organização Popular Terra Liberta realizou, entre os dias 18 e 20 de abril, um importante encontro no município de Massapê, durante a Semana Santa. A atividade reuniu militantes para avaliar os avanços recentes e projetar as ações estratégicas para 2025, reforçando o compromisso com a organização comunitária. Avanços e perspectivas O ... Ler mais

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A Coordenação Estadual da Organização Popular Terra Liberta realizou, entre os dias 18 e 20 de abril, um importante encontro no município de Massapê, durante a Semana Santa. A atividade reuniu militantes para avaliar os avanços recentes e projetar as ações estratégicas para 2025, reforçando o compromisso com a organização comunitária.

Avanços e perspectivas

O encontro destacou conquistas significativas, como a chegada de novos militantes no segundo semestre de 2024 e os progressos na luta dos moradores do Campus do Pici, além da sintonia fortalecida com o SIGAE-CE. Esses avanços reforçam a capacidade da organização em mobilizar forças em defesa de pautas coletivas.

Planejamento para 2025

Entre as decisões tomadas, destacam-se:

  • Comunicação ampliada: Fortalecimento do informativo bimestral, em formatos impresso, digital e áudio, para ampliar o diálogo com as bases e descentralizar a distribuição de informações.
  • Encontros regulares: A coordenação estadual se reunirá mensalmente, alternando entre formatos presencial e online, garantindo maior articulação.
  • Assembleia Geral: Prevista para o final de semana de 8 de agosto, marcará os quatro anos de atuação da Terra Liberta, com debates e definições coletivas.

Fortalecimento das lutas locais

A Terra Liberta reafirmou seu compromisso com Massapê, priorizando a luta contra o isolamento do território e a articulação de demandas urgentes. Além disso, está prevista a realização de atividades referentes ao “1º de Maio Global” no município, celebrando a união internacionalista da classe trabalhadora.

Integração e cultura: A organização também planeja atividades culturais, como sessões de cinema no Jardim Cearense, visando fortalecer vínculos com famílias e crianças.

O encontro encerrou-se com otimismo, reafirmando a importância da organização comunitária diante dos problemas do povo. A Terra Liberta segue em marcha, construindo pontes entre as lutas de hoje e a libertação de todos os trabalhadores do mundo.

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A terceira morte de Zé Maria do Tomé. https://terraliberta.org/2025/02/09/a-terceira-morte-de-ze-maria-do-tome/ https://terraliberta.org/2025/02/09/a-terceira-morte-de-ze-maria-do-tome/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:26:48 +0000 https://terraliberta.org/?p=665 O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), aprovou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que libera a pulverização de agrotóxicos no estado por meio de drones. Desde 2019 a pulverização aérea no Ceará era proibida por conta da Lei Zé Maria do Tomé, que leva o nome de um agricultor, da região do ... Ler mais

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O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), aprovou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que libera a pulverização de agrotóxicos no estado por meio de drones. Desde 2019 a pulverização aérea no Ceará era proibida por conta da Lei Zé Maria do Tomé, que leva o nome de um agricultor, da região do Baixo Jaguaribe, assassinado com 25 tiros por defender sua comunidade contra a chuva de veneno que as empresas do agronegócio do perímetro irrigado promoviam, além da expulsão de camponeses de suas terras.

Não imagine aqueles pequenos drones que cabem na palma da mão. Hoje existem drones, produzidos no Brasil, para pulverização agrícola que chegam 4,5m de comprimento por 8m de envergadura. Isto com uma capacidade de carregar até 400 litros de veneno. O projeto aprovado permite a utilização destas armas químicas a 30 metros de equipamentos públicos como escolas, hospitais, praças, áreas de proteção ambiental e áreas de proteção permanente.

Os políticos usam como moeda os direitos conquistados com sangue pelos trabalhadores. E ainda garantem pequenos lugares no governo para lideranças do povo para amordaçar qualquer reação. O que ocorreu não foge dessa regra.

O que aconteceu essa semana já foi prometido em um almoço do governador com setores do agronegócio em maio de 2024. Dentre os presentes, estava o empresário João Teixeira, indicado como mandante da morte de Zé Maria. Na época da morte do agricultor, 2010, João Teixeira era dono de aviões alugados para a pulverização aérea de agrotóxicos.

Elmano segue os passos de Camilo, que em abril de 2019 aprovou no COEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente) a dispensa de licenças ambientais ao plantio irrigado, com uso de agrotóxicos, em imóveis de até 30 hectares. João Alfredo, hoje superintendente do IDACE, disse a época que essa foi a segunda morte de Zé Maria. Seria esta a terceira?

Ou melhor: Quantas vezes Zé Maria terá de morrer para que nós, o povo, rasguemos essas mentiras que se vendem a cada dois anos? Por mais que tentem, Zé Maria é imortal em nossos corações. E triunfará no levante dos explorados, que não pedirá licença.

Expulsar tudo que ameaça a vida do povo e da natureza! Venceremos!

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