Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/ Organizando comunidades na luta por terra e liberdade Wed, 29 Jul 2026 17:42:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://terraliberta.org/wp-content/uploads/2022/08/cropped-mini-mini-logo-1-32x32.png Organização Popular Terra Liberta https://terraliberta.org/ 32 32 227164137 Prefeitura de caucaia e empresários atacam Ocupação Nossa Conquista https://terraliberta.org/2026/07/29/prefeitura-de-caucaia-e-empresarios-atacam-ocupacao-nossa-conquista/ https://terraliberta.org/2026/07/29/prefeitura-de-caucaia-e-empresarios-atacam-ocupacao-nossa-conquista/#respond Wed, 29 Jul 2026 17:42:09 +0000 https://terraliberta.org/?p=828 Ação de 14 de julho destruiu material de construção comprado pelas famílias e veio acompanhada de ameaças de retirada de crianças. Enquanto isso, o empresariado violenta por fora da lei. E a própria Prefeitura é a autora do pedido de reintegração de posse. Na terça-feira, 14 de julho, a Ocupação Nossa Conquista, no Loteamento Jurema ... Ler mais

O conteúdo Prefeitura de caucaia e empresários atacam Ocupação Nossa Conquista aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
Ação de 14 de julho destruiu material de construção comprado pelas famílias e veio acompanhada de ameaças de retirada de crianças. Enquanto isso, o empresariado violenta por fora da lei. E a própria Prefeitura é a autora do pedido de reintegração de posse.


Na terça-feira, 14 de julho, a Ocupação Nossa Conquista, no Loteamento Jurema I, bairro Araturi, em Caucaia, foi surpreendida por mais uma ação violenta. Os moradores foram surpreendidos por uma operação da prefeitura. Não houve informação sobre o processo, somente uma citação no Diário da Justiça para constar. Quando as famílias chegaram, o que encontraram foi a destruição dos tijolos que haviam comprado, com muito sacrifício, para levantar suas casas.

Ao tentarem negociar, moradores relatam que foram ameaçados por agentes da própria Prefeitura: disseram que as crianças poderiam ser retiradas pelo Conselho Tutelar por estarem morando na ocupação. Um ato cruel de intimidação.

A justificativa apresentada pelos agentes foi de “limpeza ambiental”, por a ocupação estar próxima a uma área verde. É preciso dizer com todas as letras: as famílias construíram seus barracos respeitando o distanciamento do rio, na faixa de Área de Preservação Permanente, e sem derrubar as carnaúbas. Quem chegou com máquina foi o poder público derrubando, inclusive, árvores. A preocupação ambiental do município aparece quando é hora de derrubar barraco, mas não quando os empresários implantam um Data Center que consumirá até 144 mil litros de água por dia.

Na ação de 14 de julho de 2026 estiveram no local equipes da Guarda Municipal de Caucaia, Autarquia Municial de Transito da Caucaia,  1ª Companhia (Controle de Distúrbios Civis – CDC) do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) e da Secretaria de Planejamento Urbano e Ambiental de Caucaia (SEPLAM), que demoliram casas de alvenaria. 

Quem são as famílias

A Ocupação Nossa Conquista começou em dezembro de 2024. Nasceu da necessidade. São moradores do próprio Araturi que não conseguem mais pagar os valores abusivos cobrados na região e sonham com a casa própria. Ao longo do conflito, cerca de 30 famílias estiveram envolvidas na ocupação.

É uma comunidade organizada. Realizam assembleias para decidir suas ações, mobilizam mutirões e demais trabalhos coletivos. Em 2025 formalizam a Associação de Moradores Nossa Conquista que promove eventos comunitários como dia das crianças; capacitações como cursos de cabeleireiro e de negócios autônomos, pensados a partir das necessidades concretas de quem vive ali. Em Julho de 2026 a comunidade passa a se articular junto à Organização Popular Terra Liberta, integrando sua resistência a uma rede de comunidades trabalhadoras com autonomia.

A ofensiva dos empresários

O ataque não vem apenas de farda e de caminhão da Prefeitura. Desde junho de 2025, homens encapuzados passaram a comparecer ao local promovendo intimidações. Pessoas ligadas ao mercado imobiliário, identificadas pelos moradores como corretores de imóveis e advogados, começaram a atuar na área promovendo demolições por conta própria.

Ou seja: enquanto a ação de reintegração corre na Justiça, particulares fazem despejo por fora da lei. Em novembro de 2025, construções existentes no local foram derrubadas. As casas erguidas pelos ocupantes são demolidas de forma reiterada, promovendo traumas em famílias que muitas vezes são compostas por mães atípicas.

Há um mecanismo. Depois de cada rodada de demolição e ameaça, produzem-se relatórios que descrevem a área como vazia ou praticamente abandonada. Mas o esvaziamento é a consequência imediata da violência que ali se pratica. Primeiro se expulsa no medo, depois se certifica que não há ninguém. O vazio é fabricado e depois usado como argumento.

Uma das ocupantes chegou a procurar o Ministério Público para comunicar que homens encapuzados ameaçavam os moradores. Uma senhora que filmava a ação da PM-CE teve um dedo quebrado. Ocupantes também foram abordados por indivíduos que se apresentaram como policiais à paisana e agrediram moradores.

Ocupação Nossa Conquista após despejo. Fotografia de Iago Barreto. 18 de julho de 2026.

A Prefeitura é a autora

Convém não perder isso de vista. No Processo que tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Caucaia, o autor do pedido de reintegração de posse é o Município de Caucaia, governado pelo prefeito Naumi Amorim (PSD).

Em 30 de abril de 2026, foi expedido mandado de reintegração de posse provisória, com autorização expressa para uso de força policial e arrombamento. Em 27 de junho de 2026, o oficial de justiça certificou que se dirigiu ao endereço e não o localizou, e que, sem ser procurado pela parte autora, deixou de proceder à reintegração em favor do Município.

Menos de três semanas depois, no dia 14 de julho, a demolição aconteceu assim mesmo, sem que a ordem judicial tivesse sido cumprida nos termos em que foi expedida. Segundo relatam os moradores, os agentes justificaram a ação como “limpeza ambiental”. Até o momento, não há informação conclusiva sobre a existência de qualquer procedimento formal instaurado pelo Município de Caucaia.

O município é parte interessada em retirar as famílias. Porém, em nenhum momento apresentou uma alternativa habitacional para essas famílias. Poderia ter proposto. É sua responsabilidade.

A saída existe e é viável

As famílias da Nossa Conquista não pedem esmola nem o impossível. A reivindicação é clara: que a Prefeitura de Caucaia conceda lotes urbanizados para autoconstrução de 30 moradias em regime de mutirão.

É uma solução barata, testada e inteiramente ao alcance do município. As famílias entram com o trabalho, como já vêm fazendo, do próprio bolso, comprando tijolo a tijolo. O poder público entra com a terra e a infraestrutura. Custa muito menos do que operação de demolição com Polícia Militar, muito menos do que anos de processo judicial, e resolve de verdade o problema que a demolição apenas empurra para o próximo terreno.

No dia 21 de julho de 2026 uma comissão dos moradores, junto à coordenação da Org. Terra Liberta, tiveram um atendimento no Escritório Frei Tito de Alencar, ficou deliberado o encaminhamento de ofícios ao Núcleo de Habitação e Moradia (NUHAM) da Defensoria Pública do Estado do Ceará e ao NUAVV (Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência) do Ministério Público, para acompanhamento das medidas adotadas e apuração dos fatos narrados pelos ocupantes.

Enquanto isso, a comunidade segue reconstruindo o seu sonho de viver com moradia dígna. Tijolo por tijolo, lona por lona.

Ocupação Nossa Conquista após despejo. Fotografia de Iago Barreto. 18 de julho de 2026.

Como ajudar a Ocupação Nossa Conquista

Doação de alimentos, roupas e materiais podem ser articulada pelo whatsapp da associação de moradores 85 9 99065868.

Contribuições financeiras podem ser feitas à conta da Associação de Moradores Nossa Conquista. Chave-pix: 62.855.209/0001-94 (CNPJ).

Divulgue este material de denúnica e solidariedade!

O conteúdo Prefeitura de caucaia e empresários atacam Ocupação Nossa Conquista aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2026/07/29/prefeitura-de-caucaia-e-empresarios-atacam-ocupacao-nossa-conquista/feed/ 0 828
Não é invasão, é uma questão de necessidade https://terraliberta.org/2025/12/22/nao-e-invasao-e-uma-questao-de-necessidade/ https://terraliberta.org/2025/12/22/nao-e-invasao-e-uma-questao-de-necessidade/#respond Mon, 22 Dec 2025 01:29:21 +0000 https://terraliberta.org/?p=744 Por Zé Ripardo Junho de 2023 A luta por terra em Massapê (CE) é acirrada! Sempre se tem a presença policial e do sistema judiciário contra nós. A nossa causa é justa, não é uma invasão, é uma questão de necessidade. E a necessidade obriga a tomamos decisões nem sempre adequadas para sobreviver. Em 1996, ... Ler mais

O conteúdo Não é invasão, é uma questão de necessidade aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
Por Zé Ripardo

Junho de 2023

A luta por terra em Massapê (CE) é acirrada! Sempre se tem a presença policial e do sistema judiciário contra nós. A nossa causa é justa, não é uma invasão, é uma questão de necessidade. E a necessidade obriga a tomamos decisões nem sempre adequadas para sobreviver.

Em 1996, eu fiquei sem casa. Fiquei desesperado, pensando como iria morar de aluguel sem estar trabalhando, sem dinheiro, sem nada. Era apenas eu e mais três filhos pequenos.

Depois de passar de casa em casa de parentes, Deus me inspirou a ocupar um terreno na frente da casa de um dos meus filhos, e construir um rancho, porque naquela situação em que eu estava, levando meus filhos pequenos de um lado para o outro, não poderia continuar.

Sabia que não seria fácil, pois a terra tinha dono, mas não desisti. Às 5h, peguei a foice, a enxada e um picarete, comecei a limpar o espaço tomado pelo mato. Não aconteceu nada, nenhuma reclamação ou aparição de alguém. Mas, no segundo dia, continuei a limpar e a polícia apareceu atrás de mim, informando que o delegado estava me chamando. Tentaram me levar na viatura, mas relutei e fui de bicicleta, afinal, não era bandido para ir na viatura.

Fui informado de que não podia levantar uma casa naquele terreno, pois não tinha documento de propriedade. Expliquei a urgência de ter um teto para mim e meus filhos, mas recebi apenas o conselho de não mexer mais lá. Saí da delegacia, e não fui para o terreno. Porém, às 4h da manhã do dia seguinte, lá estava eu, continuando a limpar. Às 6h, a polícia apareceu novamente e eu disse a eles que era uma questão de necessidade.

Fui algumas vezes conversar com o delegado sobre o assunto, mas a partir daquele momento não era mais com ele que eu iria falar, mas com a promotoria. A situação foi encaminhada para a justiça, e fui conversar com o promotor, somente eu e Deus. Me questionaram sobre o que eu estava fazendo lá, expliquei toda a situação em que me encontrava, mas mais uma vez não ligaram para isso, apenas para o documento do terreno. Eu retruquei, afirmando que a terra era do governo, que a construção estava em cima da “banqueta da linha”, no meio de duas terras.

Retrato a carvão (IA) de Zé Ripardo na Ocupação Nestor Makhno em Massapê (CE), 2023.

Mais dois companheiros se juntaram a mim na mesma situação, e voltamos a construir as casas. Quando estava fazendo a sustentação do teto, olhei para trás e vi a polícia de uma ponta a outra no horizonte. O dono do terreno convocou a polícia para nos enfrentar, mas não recuamos.

Hoje em dia, ainda moro no local. Cresceu e mais pessoas chegaram. Alguns construíram e venderam as casas, outros alugaram. Isso me entristece, porque, depois de tanto sacrifício, tanta luta, alguém vender a casa para uma pessoa que não participou do movimento pela terra e ainda vendê-la a um preço caro para o nosso povo pobre, não era algo bom.

Estamos prestando mais atenção, com a ajuda da diocese, à condição de quem está entrando agora no espaço. Quem realmente está conosco, pois a luta é contínua, precisamos ter casas para a necessidade do nosso povo, não para vender ou alugar, afinal, isso enfraquece a luta daqueles que continuam lutando.

O conteúdo Não é invasão, é uma questão de necessidade aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/12/22/nao-e-invasao-e-uma-questao-de-necessidade/feed/ 0 744
Viver é uma luta https://terraliberta.org/2025/08/04/viver-e-uma-luta/ https://terraliberta.org/2025/08/04/viver-e-uma-luta/#comments Mon, 04 Aug 2025 01:14:02 +0000 https://terraliberta.org/?p=733 Por Fran, militante da Terra Liberta. Março de 2022. O ser humano não entende que a nossa vida, nosso dia a dia, é uma luta. Nós vivemos 24h por dia em uma luta. Independentemente do que for, é uma luta. Viver é uma luta. E as pessoas acham que “ah, acordei, vou trabalhar… Cheguei, tomei ... Ler mais

O conteúdo Viver é uma luta aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
Por Fran, militante da Terra Liberta.
Março de 2022.

O ser humano não entende que a nossa vida, nosso dia a dia, é uma luta. Nós vivemos 24h por dia em uma luta. Independentemente do que for, é uma luta. Viver é uma luta. E as pessoas acham que “ah, acordei, vou trabalhar… Cheguei, tomei banho, jantei. Fui dormir”. Não é assim. Se pararem pra analisar, tudo é uma luta. Tudo gira em torno de uma grande luta, e vence o mais forte.

As pessoas acham que “ah, porque eu sou uma pessoa pobre, não tenho estudo, que vou aceitar tudo das pessoas que têm mais condições do que eu”. Isso não é certo. A gente tem que se impor pra conseguir vencer. Olha só, hoje a frase que eu escutei foi: “Fran, tu é louca de dizer pra tua patroa que tu vai faltar pra ir pro trancaço.” Qual é o problema? E falei numa boa, disse assim: “no dia 18 do outro mês, eu vou faltar. Estou avisando com mais de um mês de antecedência, porque o motivo que vou faltar não vai ser doença, e também não vai ser pelos meus filhos. Quando tiver bem pertinho, vou lhe dizer o porquê vou faltar.”

De dentro da fábrica, tem gente que trabalha lá desde os oito anos. Tem gente que trabalha há 20 anos. E tem um rapaz lá que, daqui acola, vai contar entre idas e vindas, ele já tá há 25 anos. De toda a fábrica, eu sou a única que mexe no WhatsApp e faz uma ligação no telefone. Tipo, eu pego e vou lá no YouTube, coloco o vídeo, e eu fico escutando a música e assistindo o vídeo. Se ela se toca ou não se toca, não é problema meu. Porque todo mundo faz isso. A diferença é que fazem escondido. Mas todo mundo lá faz isso.

E tipo assim, eu gosto de demonstrar quem eu sou. Eu não gosto de enganar ninguém, porque eu não gosto de ser enganada. As meninas têm um medo enorme de perguntar qualquer coisa. Meninas que trabalham há 3, 4, 5 anos têm um maior medo de perguntar alguma coisa. E eu não sei o porquê, eu sempre enfrentei.

E depois que teve aquela manifestação na antiga empresa que eu trabalhava, eu fiquei com mais vontade ainda. Chegou a um ponto de eu dizer assim: “quer saber, por que eu vou ter medo do patrão? Ele não é meu pai, não é minha mãe, ele não pode me bater. No máximo que pode acontecer é ele me botar pra fora.” Eu sei, eu tenho a minha plena consciência que sou uma boa funcionária, que eu não falto por besteira, que não chego atrasada. Mas eu tenho prioridades na minha vida. E tipo assim, o trabalho não tá em primeiro lugar.

Inclusive, teve uma vez lá que me perguntaram qual a primeira coisa que estava em primeiro lugar na minha vida, e eu falei que era os meus filhos, a minha família. Aí algumas pessoas olharam torto e disseram: “ai, o meu é meu emprego.” Que se lasque o emprego! Se um filho meu adoece e não tem ninguém que o leve pro hospital, eu falto o emprego e levo ele pro hospital. Pronto e acabou.

As pessoas se prendem demais. As pessoas se prendem muito. Tipo assim, como se as pessoas, desde bebê, desde criança, adolescente, fossem presas nessa sociedade que ensina assim. É o que eu vejo. E talvez eu não esteja falando com as palavras certas, tô falando com as minhas próprias palavras. Mas o que eu vejo é que, desde criança, você é ensinado a uma pessoa falar e você obedecer. Desde criança: “Ah, porque fulano é branco e fulano é negro. Tem coisa que o negro não vai poder fazer, só o branco vai poder fazer… Ah, porque o pobre não tem dinheiro, e só o rico vai fazer”. Não existe isso. O pessoal não entende que o que ganha é a maioria. E se você for colocar na lista, a maioria é preto e pobre. Tá entendendo? A maioria.

E as pessoas não conseguem entender. Todo bairro tem um pessoal que se envolve com o crime. E aí fica aquela matança entre as comunidades. Essas pessoas estão lutando contra as pessoas erradas. É uma briga entre uma mesma classe social. Isso tá errado. Imagine se esse pessoal se reunisse, juntasse forças e fizesse uma aliança pra lutar contra quem faz eles morrerem? Tudo que não presta no Brasil alguém coloca pra dentro! Já parou pra pensar nisso? Já pensou em quantos milhões os poderosos roubam pra deixar essas porcarias entrarem no Brasil?

É como se estivessem no mar, e os peixinhos beta continuam com o foco errado. Lá em cima, as baleias e os tubarões, só eles têm vantagens, porque são mais fortes, porque eles comem mais, são mais agressivos. Enfim, todo o poder é deles por causa dos peixes serem pequenos, serem frágeis. É mais ou menos isso. Essa é a minha reflexão. Tem que mudar o foco, se reunir, parar de matar entre si e focar no poder dos que deixam entrar armas, altos tipos de drogas perigosíssimas que acabam com o povo pobre. Alguém deixa entrar. E a luta é essa, não na mesma classe social.

Porque isso que a gente sofre é mais ou menos assim: nós fomos libertados da escravidão, mas nós ainda continuamos no chicote. Qual o tipo de chicote? Tipo no trabalho, em questão de empresa: o patrão grita e o funcionário tem que ficar calado. Tipo naquela ocupação que aconteceu com a gente: aquele coronel gritou. Depois chegou aquele cara da boina vermelha, aquela polícia, gritou também. Pois então, a sociedade em que a gente vive é mais ou menos assim: nós deixamos de ser escravos, mas continuamos no chicote. É mais ou menos assim.

O conteúdo Viver é uma luta aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/08/04/viver-e-uma-luta/feed/ 1 733
SIGAE-CE & TERRA LIBERTA DESFILIAM-SE DA FOB https://terraliberta.org/2025/06/29/sigae-ce-terra-liberta-desfiliam-se-da-fob/ https://terraliberta.org/2025/06/29/sigae-ce-terra-liberta-desfiliam-se-da-fob/#respond Sun, 29 Jun 2025 18:00:00 +0000 https://terraliberta.org/?p=727 O Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e a Organização Popular Terra Liberta decidiram, em suas respectivas assembleias gerais realizadas no dia 28 de junho de 2025, pela desfiliação da Federação das Organizações de Base (FOB). As lutas nas ocupações urbanas em 2020, que culminaram na fundação da Terra Liberta em 2021, foram ... Ler mais

O conteúdo SIGAE-CE & TERRA LIBERTA DESFILIAM-SE DA FOB aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
O Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e a Organização Popular Terra Liberta decidiram, em suas respectivas assembleias gerais realizadas no dia 28 de junho de 2025, pela desfiliação da Federação das Organizações de Base (FOB).

As lutas nas ocupações urbanas em 2020, que culminaram na fundação da Terra Liberta em 2021, foram a semente de uma nova forma de militância no interior da FOB CEARÁ. Foi na comunhão com o povo que amadureceu uma leitura transformadora do mundo. Em 2024, essa leitura se encontrou com os estudos aprofundados sobre o Sindicalismo Revolucionário, provocando o surgimento do SIGAE-CE.

À medida que essa nova forma de organização se consolidava, as divergências com a FOB também se tornavam mais evidentes. A polarização se explicitou no 3º Encontro Nacional da FOB (ENOPES), em dezembro de 2024. As resoluções desse encontro limitaram a expansão do SIGAE-CE para além do Ceará e, ao mesmo tempo, legitimaram a nacionalização da ORC e a consolidação da política de oposição sindical.

Para nós, é estratégico superar a lógica de disputa por diretorias no sindicalismo oficial, em favor da construção própria de sindicatos autônomos organizados por ramos econômicos. Essa divergência central se expressa também nos inúmeros conflitos travados localmente com a direção da ORC-CE, organização que ressurge em oposição direta ao SIGAE-CE.

As instâncias estaduais se perdem nos embates entre o acúmulo que nossa militância cultivou e um repertório recomposto do passado, que vemos como limitado para hoje. Este retorno aparece como tentativa de preservar uma estratégia minoritária no Ceará, mas que encontra eco ao nível nacional.

A manutenção de estratégias inconciliáveis dentro da FOB, a recusa em reconhecer a crise causada por essa contradição e a forma como os conflitos têm sido tratados nos níveis nacional e local nos levam, com responsabilidade, à decisão de desfiliação.

Reconhecemos os aprendizados acumulados no seio da Federação que nos formou. Saudamos todos os camaradas honestos com os quais partilhamos – e esperamos continuar partilhando – as trincheiras da luta de classes.

Reafirmamos também que não nos somamos à maior parte das correntes dissidentes da FOB, com as quais não partilhamos nem projeto, nem método.
Seguiremos firmes na luta pela reconstrução do Sindicalismo Revolucionário. Convidamos todos os trabalhadores e organizações que se identificam com nossa prática a construir conosco esse novo momento.

O conteúdo SIGAE-CE & TERRA LIBERTA DESFILIAM-SE DA FOB aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/06/29/sigae-ce-terra-liberta-desfiliam-se-da-fob/feed/ 0 727
Terra Liberta fortalece ações em encontro durante a Semana Santa em Massapê https://terraliberta.org/2025/04/21/terra-liberta-fortalece-acoes-em-encontro-durante-a-semana-santa-em-massape/ https://terraliberta.org/2025/04/21/terra-liberta-fortalece-acoes-em-encontro-durante-a-semana-santa-em-massape/#respond Mon, 21 Apr 2025 22:15:48 +0000 https://terraliberta.org/?p=671 A Coordenação Estadual da Organização Popular Terra Liberta realizou, entre os dias 18 e 20 de abril, um importante encontro no município de Massapê, durante a Semana Santa. A atividade reuniu militantes para avaliar os avanços recentes e projetar as ações estratégicas para 2025, reforçando o compromisso com a organização comunitária. Avanços e perspectivas O ... Ler mais

O conteúdo Terra Liberta fortalece ações em encontro durante a Semana Santa em Massapê aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
A Coordenação Estadual da Organização Popular Terra Liberta realizou, entre os dias 18 e 20 de abril, um importante encontro no município de Massapê, durante a Semana Santa. A atividade reuniu militantes para avaliar os avanços recentes e projetar as ações estratégicas para 2025, reforçando o compromisso com a organização comunitária.

Avanços e perspectivas

O encontro destacou conquistas significativas, como a chegada de novos militantes no segundo semestre de 2024 e os progressos na luta dos moradores do Campus do Pici, além da sintonia fortalecida com o SIGAE-CE. Esses avanços reforçam a capacidade da organização em mobilizar forças em defesa de pautas coletivas.

Planejamento para 2025

Entre as decisões tomadas, destacam-se:

  • Comunicação ampliada: Fortalecimento do informativo bimestral, em formatos impresso, digital e áudio, para ampliar o diálogo com as bases e descentralizar a distribuição de informações.
  • Encontros regulares: A coordenação estadual se reunirá mensalmente, alternando entre formatos presencial e online, garantindo maior articulação.
  • Assembleia Geral: Prevista para o final de semana de 8 de agosto, marcará os quatro anos de atuação da Terra Liberta, com debates e definições coletivas.

Fortalecimento das lutas locais

A Terra Liberta reafirmou seu compromisso com Massapê, priorizando a luta contra o isolamento do território e a articulação de demandas urgentes. Além disso, está prevista a realização de atividades referentes ao “1º de Maio Global” no município, celebrando a união internacionalista da classe trabalhadora.

Integração e cultura: A organização também planeja atividades culturais, como sessões de cinema no Jardim Cearense, visando fortalecer vínculos com famílias e crianças.

O encontro encerrou-se com otimismo, reafirmando a importância da organização comunitária diante dos problemas do povo. A Terra Liberta segue em marcha, construindo pontes entre as lutas de hoje e a libertação de todos os trabalhadores do mundo.

Siga nossas redes para acompanhar as próximas ações! 🌱✊

O conteúdo Terra Liberta fortalece ações em encontro durante a Semana Santa em Massapê aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/04/21/terra-liberta-fortalece-acoes-em-encontro-durante-a-semana-santa-em-massape/feed/ 0 671
A terceira morte de Zé Maria do Tomé. https://terraliberta.org/2025/02/09/a-terceira-morte-de-ze-maria-do-tome/ https://terraliberta.org/2025/02/09/a-terceira-morte-de-ze-maria-do-tome/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:26:48 +0000 https://terraliberta.org/?p=665 O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), aprovou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que libera a pulverização de agrotóxicos no estado por meio de drones. Desde 2019 a pulverização aérea no Ceará era proibida por conta da Lei Zé Maria do Tomé, que leva o nome de um agricultor, da região do ... Ler mais

O conteúdo A terceira morte de Zé Maria do Tomé. aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), aprovou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que libera a pulverização de agrotóxicos no estado por meio de drones. Desde 2019 a pulverização aérea no Ceará era proibida por conta da Lei Zé Maria do Tomé, que leva o nome de um agricultor, da região do Baixo Jaguaribe, assassinado com 25 tiros por defender sua comunidade contra a chuva de veneno que as empresas do agronegócio do perímetro irrigado promoviam, além da expulsão de camponeses de suas terras.

Não imagine aqueles pequenos drones que cabem na palma da mão. Hoje existem drones, produzidos no Brasil, para pulverização agrícola que chegam 4,5m de comprimento por 8m de envergadura. Isto com uma capacidade de carregar até 400 litros de veneno. O projeto aprovado permite a utilização destas armas químicas a 30 metros de equipamentos públicos como escolas, hospitais, praças, áreas de proteção ambiental e áreas de proteção permanente.

Os políticos usam como moeda os direitos conquistados com sangue pelos trabalhadores. E ainda garantem pequenos lugares no governo para lideranças do povo para amordaçar qualquer reação. O que ocorreu não foge dessa regra.

O que aconteceu essa semana já foi prometido em um almoço do governador com setores do agronegócio em maio de 2024. Dentre os presentes, estava o empresário João Teixeira, indicado como mandante da morte de Zé Maria. Na época da morte do agricultor, 2010, João Teixeira era dono de aviões alugados para a pulverização aérea de agrotóxicos.

Elmano segue os passos de Camilo, que em abril de 2019 aprovou no COEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente) a dispensa de licenças ambientais ao plantio irrigado, com uso de agrotóxicos, em imóveis de até 30 hectares. João Alfredo, hoje superintendente do IDACE, disse a época que essa foi a segunda morte de Zé Maria. Seria esta a terceira?

Ou melhor: Quantas vezes Zé Maria terá de morrer para que nós, o povo, rasguemos essas mentiras que se vendem a cada dois anos? Por mais que tentem, Zé Maria é imortal em nossos corações. E triunfará no levante dos explorados, que não pedirá licença.

Expulsar tudo que ameaça a vida do povo e da natureza! Venceremos!

O conteúdo A terceira morte de Zé Maria do Tomé. aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/02/09/a-terceira-morte-de-ze-maria-do-tome/feed/ 0 665
190 Anos da Revolta dos Malês https://terraliberta.org/2025/02/09/190-anos-da-revolta-dos-males/ https://terraliberta.org/2025/02/09/190-anos-da-revolta-dos-males/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:24:08 +0000 https://terraliberta.org/?p=662 No dia 24 de janeiro, celebramos a memória dos 190 anos da Revolta dos Malês, reconhecida como o maior levante urbano de pessoas escravizadas nas Américas. O episódio, ocorrido em Salvador, Bahia, em 1835, foi liderado por africanos muçulmanos, escravizados e libertos, conhecidos como malês. Antes da revolta, o Brasil proclamava independência, em 1822; que ... Ler mais

O conteúdo 190 Anos da Revolta dos Malês aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
No dia 24 de janeiro, celebramos a memória dos 190 anos da Revolta dos Malês, reconhecida como o maior levante urbano de pessoas escravizadas nas Américas. O episódio, ocorrido em Salvador, Bahia, em 1835, foi liderado por africanos muçulmanos, escravizados e libertos, conhecidos como malês.

Antes da revolta, o Brasil proclamava independência, em 1822; que logo se demonstrou com farsa. Como poderia um país ser independente com seu povo escravo? A economia do açúcar que crescia a época aumentava a mão de obra negra na Bahia, ao ponto de serem quase 80% da população de Salvador a época. Uma verdadeira panela de pressão.

Os insurgentes, muitos dos quais eram falantes de yorùbá, inspiraram-se em suas tradições culturais e religiosas para organizar uma tentativa de mudar sua realidade. A capacidade de unir diferentes crenças foi bastante importante. Os malês, adeptos do islamismo, construíram articulações entre terreiros de candomblé e irmandades cristãs negras.

A insurreição reuniu cerca de 600 participantes armados, que enfrentaram as forças policiais nas ruas de Salvador. Apesar da derrota, a revolta teve repercussões significativas, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Documentos da época mostram como jornais de diversos países relataram o evento, associando-o aos temores de outras revoluções inspiradas pelo Haiti e debatendo sobre as condições da escravidão no Brasil.

As consequências da revolta foram severas: muitos participantes foram mortos, açoitados, presos ou deportados. Mesmo assim, a Revolta dos Malês permanece como um símbolo de resistência e luta pela liberdade, destacando a força cultural e espiritual daqueles que enfrentaram um sistema profundamente opressor.

Ao mantermos essa memória acesa, iluminamos as pegadas de nossos ancestrais que constituíram a classe trabalhadora que mantêm sua caminhada rumo à libertação.

Em memória das lideranças: Ahuna; Pacífico Licutan; Sule; Dassalu; Gustar; Manoel Calafete; Luís Sanim; e Elesbão do Carmo.

O conteúdo 190 Anos da Revolta dos Malês aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/02/09/190-anos-da-revolta-dos-males/feed/ 0 662
Comunidade da Perimetral tem Audiência com Habitafor https://terraliberta.org/2025/02/09/comunidade-da-perimetral-tem-audiencia-com-habitafor/ https://terraliberta.org/2025/02/09/comunidade-da-perimetral-tem-audiencia-com-habitafor/#comments Sun, 09 Feb 2025 18:21:34 +0000 https://terraliberta.org/?p=656 No dia 12 de novembro de 2024, o Núcleo de Base da Terra Liberta na Comunidade da Perimetral teve uma audiência com secretário Carlos Kleber da HABITAFOR. Também esteve presente a professora Helena Sampaio representando a Comissão de Regularização Fundiária da UFC. A audiência foi solicitada por uma comissão da organização no dia 28 de ... Ler mais

O conteúdo Comunidade da Perimetral tem Audiência com Habitafor aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
No dia 12 de novembro de 2024, o Núcleo de Base da Terra Liberta na Comunidade da Perimetral teve uma audiência com secretário Carlos Kleber da HABITAFOR. Também esteve presente a professora Helena Sampaio representando a Comissão de Regularização Fundiária da UFC. A audiência foi solicitada por uma comissão da organização no dia 28 de outubro, presencialmente na secretária.

Foi apresentado a trajetória da comunidade e seu engajamento na luta pela regularização fundiária. A secretaria se comprometeu em colaborar com o trabalho da comissão da UFC na regularização da comunidade. A secretaria apontou que a partir do dia 10 de dezembro se iniciaria audiências de conciliação na comissão de conflitos fundiários do poder judiciário, onde a DPU está a representar juridicamente as famílias em luta.

Estamos acompanhando estes andamento e em constante mobilização para que se consiga um bom resultado para a garantir do direito à moradia das famílias trabalhadoras.

Ressaltamos, na reunião, a importância de tanto a equipe de transição, como a nova gestão que deverá começar próximo ano, manter seu compromisso com esta pauta tão necessária.
Seguimos atentos!

O conteúdo Comunidade da Perimetral tem Audiência com Habitafor aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/02/09/comunidade-da-perimetral-tem-audiencia-com-habitafor/feed/ 1 656
Camponeses em Massapê anseiam a fundação do Assentamento Nestor Makhno https://terraliberta.org/2025/02/09/camponeses-em-massape-anseiam-a-fundacao-do-assentamento-nestor-makhno/ https://terraliberta.org/2025/02/09/camponeses-em-massape-anseiam-a-fundacao-do-assentamento-nestor-makhno/#respond Sun, 09 Feb 2025 18:12:18 +0000 https://terraliberta.org/?p=653 As mãos das famílias trabalhadoras de Massapê, que fizeram a Ocupação Nestor Makhno, estão abertas para colher os frutos de sua árdua luta. Em abril de 2023, elas ocuparam a Fazenda Campo Grande que estava improdutiva há décadas. Com muita luta semearam a terra e realizaram criação de animais de pequeno porte. A resistência conseguiu ... Ler mais

O conteúdo Camponeses em Massapê anseiam a fundação do Assentamento Nestor Makhno aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
As mãos das famílias trabalhadoras de Massapê, que fizeram a Ocupação Nestor Makhno, estão abertas para colher os frutos de sua árdua luta. Em abril de 2023, elas ocuparam a Fazenda Campo Grande que estava improdutiva há décadas. Com muita luta semearam a terra e realizaram criação de animais de pequeno porte. A resistência conseguiu barrar as tentativas de despejo até o dia 6 de dezembro de 2023, quando a comunidade foi despejada. Porém, a indignação virou combustível para a 1º Ocupação em Defesa da Casa Comum que ocorreu com a força de diversas organizações do povo cearense no mesmo mês. Com isto, o Governador Elmano se comprometeu em assinar a aquisição de um imóvel para o assentamento das famílias despejadas. Em março de 2024 tivemos a confirmação da assinatura.

Infelizmente, as coisas não são tão rápidas como a necessidade pede. Hoje, janeiro de 2025, as famílias ainda não tiveram seu justo assentamento. As burocracias dos cartórios locais são um grande entrave, que dificulta a agilidade nos processos de aquisição de imóveis rurais para fins de reforma agrária.

Enquanto isso, a tarefa principal é manter os vínculos entre o povo para estar preparado para agir quando for necessário. Pois a força que move a história está conosco, a força de quem trabalha.

O conteúdo Camponeses em Massapê anseiam a fundação do Assentamento Nestor Makhno aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/02/09/camponeses-em-massape-anseiam-a-fundacao-do-assentamento-nestor-makhno/feed/ 0 653
Comida: Falta no prato e pesa no bolso https://terraliberta.org/2025/02/09/comida-falta-no-prato-e-pesa-no-bolso/ https://terraliberta.org/2025/02/09/comida-falta-no-prato-e-pesa-no-bolso/#comments Sun, 09 Feb 2025 18:10:01 +0000 https://terraliberta.org/?p=650 Nos 6 primeiros meses de 2024 os preços médios da cesta básica teve aumento de 10,62% na cidade de Fortaleza, sendo a maior elevação comparada com outras capitais. O café aumento de aproximadamente 25% de junho 2023 a junho de 2024 em Fortaleza. A falta de café no mercado, que acarreta a aumenta no preço, ... Ler mais

O conteúdo Comida: Falta no prato e pesa no bolso aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
Nos 6 primeiros meses de 2024 os preços médios da cesta básica teve aumento de 10,62% na cidade de Fortaleza, sendo a maior elevação comparada com outras capitais. O café aumento de aproximadamente 25% de junho 2023 a junho de 2024 em Fortaleza. A falta de café no mercado, que acarreta a aumenta no preço, se deu pelo aumento na importação valorizada pela baixa produção de países como a Indonésia e o Vietnã. Tanto estes países quando o Brasil sofrem com as mudanças climáticas que potencializam o natural El Niño em 2024.

Contudo, o que piora a situação para o povo brasileiro é que os Estoques Públicos de Alimentos, que servem para regular o preço dos produtos durante essas oscilações, estão em sua grande maioria zerados. Isto mesmo sob o Governo Lula que denunciava o antigo governo por não repor os estoques de alimento, hoje a situação permanece a mesma de acordo com os relatórios da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ainda que com pequenas reposições, como no caso do milho, nada se compara ao que o Brasil já teve antes de 2016. Esta situação fragiliza principalmente os trabalhadores com menor renda, que sentem fortemente as variações de preço.

Combater esse problema envolve 3 ações principais:

1. Exigir o reabastecimento dos estoques públicos de alimento. O governo federal não pode ficar brincando com a fome do povo enquanto garante privilégios para os poderosos.

2. Fortalecer a circulação da produção camponesa para os grandes centros urbanos. As comunidades camponesas tem uma produção para oferecer para as cidades, muitas vezes mais alinhada com a cultura local. É preciso criar caminhos por fora das grandes redes de supermercado para conseguir ligar estes pontos.

3. Retomar a terra. Mais de 500 anos que as terras são roubadas e concentradas nas mãos de poucos poderosos. O que temos em troca? A carestia e crise climática! Por isso é importante retomar a terra e construir uma outra relação que não seja de exploração e sim comunhão.

O conteúdo Comida: Falta no prato e pesa no bolso aparece primeiro em Organização Popular Terra Liberta.

]]>
https://terraliberta.org/2025/02/09/comida-falta-no-prato-e-pesa-no-bolso/feed/ 1 650