O Sindicato Geral Autônomo da Educação do Ceará (SIGAE-CE) e a Organização Popular Terra Liberta decidiram, em suas respectivas assembleias gerais realizadas no dia 28 de junho de 2025, pela desfiliação da Federação das Organizações de Base (FOB).
As lutas nas ocupações urbanas em 2020, que culminaram na fundação da Terra Liberta em 2021, foram a semente de uma nova forma de militância no interior da FOB CEARÁ. Foi na comunhão com o povo que amadureceu uma leitura transformadora do mundo. Em 2024, essa leitura se encontrou com os estudos aprofundados sobre o Sindicalismo Revolucionário, provocando o surgimento do SIGAE-CE.
À medida que essa nova forma de organização se consolidava, as divergências com a FOB também se tornavam mais evidentes. A polarização se explicitou no 3º Encontro Nacional da FOB (ENOPES), em dezembro de 2024. As resoluções desse encontro limitaram a expansão do SIGAE-CE para além do Ceará e, ao mesmo tempo, legitimaram a nacionalização da ORC e a consolidação da política de oposição sindical.
Para nós, é estratégico superar a lógica de disputa por diretorias no sindicalismo oficial, em favor da construção própria de sindicatos autônomos organizados por ramos econômicos. Essa divergência central se expressa também nos inúmeros conflitos travados localmente com a direção da ORC-CE, organização que ressurge em oposição direta ao SIGAE-CE.
As instâncias estaduais se perdem nos embates entre o acúmulo que nossa militância cultivou e um repertório recomposto do passado, que vemos como limitado para hoje. Este retorno aparece como tentativa de preservar uma estratégia minoritária no Ceará, mas que encontra eco ao nível nacional.
A manutenção de estratégias inconciliáveis dentro da FOB, a recusa em reconhecer a crise causada por essa contradição e a forma como os conflitos têm sido tratados nos níveis nacional e local nos levam, com responsabilidade, à decisão de desfiliação.
Reconhecemos os aprendizados acumulados no seio da Federação que nos formou. Saudamos todos os camaradas honestos com os quais partilhamos – e esperamos continuar partilhando – as trincheiras da luta de classes.
Reafirmamos também que não nos somamos à maior parte das correntes dissidentes da FOB, com as quais não partilhamos nem projeto, nem método.
Seguiremos firmes na luta pela reconstrução do Sindicalismo Revolucionário. Convidamos todos os trabalhadores e organizações que se identificam com nossa prática a construir conosco esse novo momento.
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