A comunidade na universidade e a comunidade universitária

Comunicado da Organização Popular Terra Liberta sobre o processo de Regularização Fundiária das comunidades do Campus do Pici e entorno. Aborda a história da luta das famílias, a situação atual e convoca para uma plenária popular que fortaleça a unidade entre quem mora e quem trabalha na universidade e no seu entorno.

As famílias e a sua luta

As comunidades Galpões, Hidráulica, Perimetral e CHESF vivem dentro do Campus do Pici e no seu entorno há décadas, algumas há mais de 50 anos. Muitas famílias chegaram ainda quando a área pertencia ao DNOCS, antes de ser universidade, e há casas com três gerações. Muitos moradores trabalharam na construção e na manutenção da própria instituição.

Por mais de 70 anos, a posse dessas famílias nunca foi regularizada. Nesse período, a universidade alternou entre a omissão e as ações de despejo. A regularização fundiária é o caminho para garantir, com segurança jurídica, o direito à moradia de quem já vive e constrói a vida nesse território.

Comunidades do Campus do Pici e entorno na primeira etapa da regularização fundiária.

O papel da Terra Liberta

A Organização Popular Terra Liberta é uma organização de base comunitária que reúne moradoras e moradores do Campus do Pici e do seu entorno. Desde 2020, atuamos na organização das comunidades: assembleias, mobilizações, articulação com a Defensoria Pública da União, diálogo com a Reitoria e acompanhamento das etapas técnicas e sociais da regularização. Nosso papel é construir o poder das comunidades através de sua organização solidária como classe trabalhadora.

Essa luta contou com o envolvimento de diversas organizações, em especial as que se reuniram na Frente de Apoio aos Moradores do Campus do Pici (2020–2023), como assessorias técnicas e movimentos estudantis. Hoje, a luta segue articulada a vários grupos solidários que contribuem com a caminhada das famílias.

Linha do tempo da última retomada do conflito

LINHA DO TEMPO

A última retomada do conflito no Campus do Pici

  1. 2019

    Intervenção na Reitoria

    Cândido Albuquerque é nomeado reitor da UFC sem ter sido o mais votado na consulta à comunidade universitária.

  2. 2020

    Despejo no Natal

    Em plena pandemia, a Comunidade dos Galpões recebe ordem de despejo. A justificativa é o projeto do Parque Tecnológico (PARTEC), conduzido pelo então interventor.

  3. 2021

    As famílias se organizam

    Assembleias na Comunidade dos Galpões e articulação com a Defensoria Pública da União.

  4. 2022

    A Hidráulica entra na luta

    Notificada de ameaça de despejo, a Comunidade da Hidráulica passa a se mobilizar junto.

    Moradoras reunidas à noite em roda, durante assembleia na Comunidade da Hidráulica
    Assembleia na Comunidade da Hidráulica, 15/06/2022
    Moradores e apoiadores com a faixa “PARTEC com despejo? Jamais!” e a bandeira da Terra Liberta
    Protesto contra a ordem de despejo ligada ao PARTEC, 22/06/2022
  5. 2023

    Nova gestão

    Assume a Reitoria o professor Custódio Almeida. Nos Galpões, os moradores seguem reunidos contra o despejo.

    Moradores reunidos à noite, com a frase “e diga não ao despejo pela UFC”
    Reunião de moradores na Comunidade dos Galpões, outubro de 2023
  6. 2024

    Do despejo à comissão

    A Perimetral recebe ordem de despejo e se mobiliza. Durante a greve de docentes e técnicos, as comunidades conquistam reunião com o reitor, que se mostra favorável à regularização. O processo vai à Comissão de Soluções Fundiárias e é suspenso. Em setembro, o CONSUNI aprova a Comissão Permanente de Regularização Fundiária.

    Moradores da Perimetral com a faixa “Contra o despejo das 33 famílias da Perimetral pela UFC”
    Moradores da Perimetral protestam contra a ordem de despejo das 33 famílias, maio de 2024
  7. 2025

    Começa a regularização

    UFC e Ministério das Cidades assinam TED para a regularização fundiária. Começam as etapas técnicas e sociais, com equipe articulada ao Juá, Clínica de Acesso a Direitos da UFC.

    Representantes das famílias com a faixa “Moradores do Campus do Pici em luta por regularização fundiária”
    Famílias do Campus do Pici recebidas pela vice-reitora no exercício da Reitoria, 14/07/2025. Foto: Guilherme Silva/UFC Informa
    Quatro fotos de reuniões noturnas com moradores nas comunidades
    Nas noites de 15 e 17 de julho de 2025, Galpões e Hidráulica recebem o Juá em seu território para entender, na prática, como funciona a regularização
  8. 2026

    A pauta parada

    No início do ano, o plano e o projeto de regularização são entregues ao reitor para irem ao CONSUNI. Mesmo após questionamento da comissão, não houve resposta.

  9. 24/11

    Plenária Popular

    Terça, 17h · Auditório Reitor Ícaro de Sousa Moreira
    Campus do Pici, Bloco 902

    REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA JÁ!

Convocação para a Plenária Popular

A regularização fundiária das comunidades que vivem na universidade diz respeito a toda a universidade. Por isso, a Terra Liberta convoca estudantes, docentes, técnicos administrativos, trabalhadores terceirizados, movimentos sociais e demais interessados para a Plenária Popular sobre a regularização fundiária das comunidades do Campus do Pici e entorno.

  • Data: 24 de novembro de 2026, terça-feira, às 17h
  • Local: Auditório Reitor Ícaro de Sousa Moreira, Campus do Pici, Bloco 902, em frente ao restaurante universitário da UFC

A plenária será presidida pelas comunidades e terá:

  1. exposição sobre a história da luta das famílias;
  2. apresentação do processo técnico e social da regularização;
  3. espaço para falas, perguntas e reflexões dos participantes.

Mesmo que o reitor paute a Reurb no CONSUNI antes dessa data, a plenária está mantida. O objetivo é que a pauta seja discutida com qualidade, que as propostas do plano sejam respeitadas e que toda a comunidade acadêmica conheça a legitimidade e a qualidade técnica do processo, além de estreitar os laços entre quem mora e quem trabalha na UFC.

Regularização fundiária já!

Organização Popular Terra Liberta
Fortaleza, novembro de 2026


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