Não brigue com seu vizinho por político

Todo ano de eleição a cena se repete. Parente que não se fala mais, grupo de WhatsApp da rua virando ringue, gente que se cumprimentava há vinte anos agora mudando de calçada para não dar bom dia. Tudo por causa de político que nunca pisou no nosso bairro e que, depois de outubro, some de novo.

Na Terra Liberta a gente aprendeu outra coisa. Quem segura a ocupação nos dias de despejo não foi candidato nenhum. Foi vizinho. Foi quem cozinhava para atividade, quem ficava na vigília até o sol nascer, quem ajudou a levantar os barracos quando eram derrubados.

Por isso fica o convite. Em vez de brigar com seu vizinho, chame ele para um almoço coletivo. Chame para cobrar o calçamento que nunca chega e o posto de saúde que vive sem médico. Chame para começar uma horta naquele terreno abandonado. Chame para ficar junto de uma comunidade ameaçada de despejo e para levar apoio a quem está em greve. Independente do voto, quando a rua alaga, a água entra na casa dos dois do mesmo jeito. As eleições passam. A comunidade continua.


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